Ramiro
Estou jogado no sofá da minha sala, o olhar fixo no teto, embora nada do que vejo realmente registre em minha mente. Minha cabeça está cheia de lembranças que me torturam. Priscila. Minha filha. Hoje é o casamento dela, e eu, eu estou aqui, imóvel, como o covarde que sou.
Penso em tudo o que fiz, tudo o que destruí. As palavras cruéis, os gestos de violência, as humilhações. A maneira como, por anos, tratei aquela menina como se fosse uma inimiga, quando na verdade ela era apenas uma cria