Leornado
O sonho veio como sempre vinha: sem aviso, sem misericórdia, me arrastando de volta para aquela noite de verão em que eu tinha quinze anos e Elisa apenas onze. Ela estava agarrada a mim na varanda dos fundos da casa antiga, o corpo pequeno tremendo de soluços, as lágrimas molhando a camisa do meu pijama.
— Não deixa ele me levar, não deixa! — repetia ela, a voz entrecortada pelo choro, os dedinhos apertando meu braço com força e desespero.
Eu sentia o cheiro de jasmim do jardim mistur