Não muito longe da mansão, um grupo de pessoas comemorava diante das chamas que subiam alto no céu.
Alguns tiravam fotos freneticamente. Outros riam sem parar.
— Hahaha! A nonagésima nona vingança foi perfeita.
— Finalmente o nosso Léo vai se livrar daquela Juliana maluca de amor.
— Quando a gente entrar depois, vou tirar várias fotos dela chorando, toda acabada, e postar na internet. A cidade inteira vai ver.
— Vai ser hilário.
A luz vermelha do incêndio iluminava os rostos excitados do grupo.
Atrás deles, Leonardo ouvia aquela conversa e, pela primeira vez, sentiu um incômodo estranho.
Sem motivo aparente, a imagem de Juliana no momento da despedida surgiu em sua mente.
E foi então que algo lhe ocorreu.
Ela não estava calma demais?
Nos anos anteriores, no aniversário de namoro, Juliana sempre era a mais animada.
Desde a escolha do lugar até cada detalhe da decoração, cada pequeno elemento da comemoração… Ela cuidava de tudo com entusiasmo.
Praticamente todo o aniversário era organizado por ela sozinha.
Leonardo mal tinha chance de se envolver.
E ele nunca se importou.
Afinal, nunca gostou dela.
Em certos momentos, ele até pensava com amargura que tudo aquilo era culpa dela. Se Juliana não tivesse intimidado Cecília naquela época, quem estaria comemorando aquele aniversário ao seu lado jamais teria sido ela.
Mas desta vez…
Juliana estava estranhamente quieta.
Durante todo o trajeto até a mansão, ela ficou sentada no banco do passageiro em silêncio absoluto.
Além de algumas confissões estranhas de amor, não perguntou absolutamente nada sobre a comemoração.
Nada sobre o lugar.
Nada sobre a surpresa.
Parecia uma boneca sem vontade própria, deixando que ele a conduzisse como quisesse.
E havia algo ainda mais estranho.
Ele já estava fora havia tanto tempo.
O incêndio queimava havia tanto tempo.
E mesmo assim…
Ela não tinha feito uma única ligação.
Nem uma.
Ao perceber isso, Leonardo pegou rapidamente o celular.
Atualizou a tela.
De novo.
E de novo.
Mas, não importava quantas vezes atualizasse… Na conversa com Juliana não aparecia nenhuma nova mensagem.
Nenhuma chamada.
O coração dele começou a bater violentamente.
Uma sensação ruim se espalhou instantaneamente por todo o seu corpo.
Ele ergueu a cabeça de repente.
Com o rosto pálido, olhou para a mansão, já quase completamente engolida pelas chamas.
De repente, ele não conseguiu mais ficar parado.
Disparou em direção à mansão.
— Ei! Ei! Ei! Léo! Pra onde você pensa que vai?
O grupo se assustou ao vê-lo correr e rapidamente o segurou.
Leonardo ainda ia abrir a boca para falar quando...
BOOM!
Uma explosão violenta ecoou de repente.
Uma enorme nuvem em forma de cogumelo subiu instantaneamente acima da mansão.
As expressões de todos mudaram na mesma hora.
Algo estava muito errado.
E antes que pudessem reagir...
BOOM!
BOOM!
BOOM!
Explosões começaram a ecoar uma após a outra na noite.
Entre os estrondos, densas nuvens de fumaça negra subiam violentamente.
Fragmentos e destroços eram arremessados para todos os lados, cortando o ar como lâminas.
— Juliana…
A mente de Leonardo ficou completamente em branco.
Restava apenas um pensamento.
Juliana ainda estava lá dentro.
Ele se debateu, tentando correr para dentro da mansão em chamas.
Mas as pessoas ao redor o seguraram com força.
— Léo, se acalma! Você vai morrer se entrar!
— Já chamamos a polícia. A equipe de resgate está chegando.
— Ela não vai ter nada!
Os olhos de Leonardo estavam vermelhos como sangue, fixos nas chamas que devoravam a mansão.
— Saiam da frente.
Ninguém soube de onde ele tirou tanta força.
De repente, ele se soltou brutalmente das mãos que o seguravam e avançou direto em direção ao fogo.
— Léo!
BOOM!
Outra explosão violenta sacudiu o ar.
A chuva começou a cair com força, lavando o chão.
Entre os escombros carbonizados da mansão, a água apagava os últimos focos de fogo. Restavam apenas paredes quebradas, envoltas em fumaça negra.
Equipes de resgate, acompanhadas de cães farejadores, vasculhavam as ruínas.
Eles procuravam o corpo de Juliana.
Sim.
O corpo.
Porque, depois de um incêndio daquele tamanho, seguido por tantas explosões, ninguém acreditava que alguém pudesse ter sobrevivido.
Não muito longe dali, Leonardo permanecia de pé sob a chuva torrencial.
Seu corpo estava coberto de sangue.
Mesmo com os médicos insistindo para que fosse atendido, ele se recusava a sair dali.
Esperava apenas…
o veredito final.
De repente, um dos socorristas gritou:
— Encontramos alguém!
Os olhos de Leonardo, até então mortos e vazios, se acenderam instantaneamente.
Arrastando o corpo rígido, ele correu até lá.
No mesmo instante, os socorristas retiraram dos escombros um corpo.
O rosto estava completamente destruído.
O corpo inteiro estava coberto por uma mistura de sangue, cinzas e fuligem.
Por causa da explosão e do incêndio, o cadáver havia se contraído, retorcido, completamente carbonizado.
A face deformada estava voltada diretamente para Leonardo.
Mesmo assim… Ele reconheceu.
Reconheceu a dona daquele corpo.
Afinal… Não fazia muito tempo que ele mesmo a havia levado até aquele incêndio.