— Como assim não concorda, Léo?
Alguém retrucou do outro lado da ligação.
— Você vive dizendo que quer acabar logo com esse jogo de vingança. A gente garante que ninguém vai morrer. Quando ela estiver no limite, sem aguentar mais, abrimos a porta.
A voz de Leonardo continuou firme.
— Não. É arriscado. Ela pode se machucar.
Alguém pareceu realmente confuso.
— Tá brincando, né, Léo? Hoje mesmo ouvi dizer que você deixou a Cê e saiu correndo atrás da Juliana. A Cê chorou a noite inteira. Você ficou um tempão consolando ela. Pra ela não ficar pensando besteira, chamou a gente na hora pra discutir a nonagésima nona vingança. Agora vem dizer que isso não pode, aquilo não pode? Você ainda lembra de quem realmente gosta? Termina logo com a Juliana e volta pra Cê. Não é isso que você sempre quis?
A respiração de Leonardo ficou repentinamente mais pesada, irregular, como se ainda quisesse rebater.
Mas naquele momento, uma nova voz surgiu do outro lado da linha.
A voz de Cecília.
— Léo… Eu ouvi tudo o que vocês estavam falando agora.
Houve um breve silêncio.
Então ela continuou:
— Só vou te perguntar uma coisa. Se eu quiser usar esse método pra me vingar da Juliana… Você concorda ou não?
Leonardo permaneceu em silêncio.
A voz de Cecília começou a tremer, carregada de choro.
— Você prometeu que faria qualquer coisa por mim.
Finalmente, ele falou.
Sua voz saiu rouca.
— Concordo. Eu faço do seu jeito.
Cecília parou de chorar imediatamente e soltou uma risada aliviada.
Do outro lado da linha, os amigos também se animaram.
— Boa!
Alguém gritou.
— Mal posso esperar por esse dia.
Leonardo ainda acrescentou, em tom sério:
— Só não deixem nada sair do controle.
Nas sombras, Juliana permanecia parada.
Seu coração parecia estar sendo esmagado por uma mão invisível, apertando com tanta força que quase a impedia de respirar.
Sem fazer barulho, ela voltou para o quarto.
Pegou o celular.
E enviou uma mensagem.
No dia do aniversário de namoro, Leonardo seguiu o plano.
— Ju, preparei uma surpresa pra hoje. — Disse ele. — Fecha os olhos. Vou te levar a um lugar.
Juliana o encarou profundamente por um longo momento.
Mas não resistiu.
Apenas fechou os olhos.
Leonardo curvou levemente os lábios. Pegou uma fita e vendou os olhos dela. Depois segurou sua mão e a conduziu até o carro.
Quando o carro parou, ele a ajudou a descer e a guiou para dentro da mansão.
Parando no meio da sala, disse em voz baixa:
— Fica aqui me esperando um pouco. Vou buscar o presente. Já volto.
Juliana permaneceu imóvel, ouvindo o som dos passos dele se afastando lentamente.
No instante em que ele estava prestes a fechar a porta, ela de repente o chamou.
— Leonardo.
Ele parou.
— Sabe de uma coisa? Eu realmente gosto muito de você.
Os passos de Leonardo ficaram imóveis. Ele ouviu a voz dela continuar, suave no silêncio.
— Eu gosto de você há muito, muito tempo. Quando você aceitou ficar comigo, eu fiquei tão feliz… Achei que finalmente meu desejo tinha se realizado. Naquela noite eu nem consegui dormir. Chorei tanto de emoção que molhei o travesseiro inteiro. Meio bobo, né?
Leonardo não disse nada.
Mas sua respiração ficou levemente irregular.
Ela continuou, em tom suave:
— Hoje é o nosso terceiro aniversário. E é a primeira vez que você prepara um presente pra mim… Eu estava realmente muito ansiosa.
A garganta de Leonardo ficou seca.
Depois de um longo momento, ele finalmente respondeu em voz baixa:
— Eu volto já. Espera por mim.
A porta se fechou.
Juliana tirou a venda dos olhos naquele exato momento.
Logo em seguida, sentiu o forte cheiro de gasolina no ar.
Ela soltou uma pequena risada.
Caminhou até o canto da sala e puxou um boneco em forma de corpo humano que já havia preparado com antecedência.
Desde a noite em que ouvira aquela ligação, mandara fazer aquilo sob medida, com a mesma altura e proporções do próprio corpo.
Depois de queimado…
Todos acreditariam que aquele corpo era o dela.
Juliana colocou um gravador sobre a mesa.
Dentro dele já estava salvo um áudio que ela havia gravado antes, gritos desesperados pedindo socorro.
Antes de sair, murmurou baixinho:
— Leonardo… Você me enganou noventa e oito vezes. Na nonagésima nona… Quem engana você sou eu.
Ela apertou o botão de reprodução.
Logo, dentro da mansão ecoou sua voz previamente gravada.
— Socorro… Abre a porta! Leonardo, me salva!
Sem olhar para trás, Juliana caminhou em direção à porta dos fundos.
Saiu da mansão.
Na estrada, chamou um carro por aplicativo e seguiu direto para o aeroporto.
Ao longe, as chamas começaram a subir, iluminando o céu da noite.