Depois da morte do marido, Silvânia mergulhou numa espiral de excessos — uma mistura perigosa de solidão, arrogância e aquela sede venenosa de sentir-se importante observando a vida alheia. Com o tempo, passou a circular pelo bairro como uma sombra, bisbilhotando conversas, anotando comportamentos, delatando pequenos delitos, convencida de que fazia “o trabalho de Deus”.
Mas a verdade, conhecida por todos menos por ela mesma, era simples: Silvânia não limpava o bairro; ela atiçava seus demônios.