Quando Silvânia despertou, não havia memória, nem dor, nem resquício da lua cheia que a engolira na véspera. Apenas o eco longínquo de um sabor amargo na boca — um gosto de carne velha, endurecida pelo tempo, como se fosse feita de lembranças mortas.
Ao redor dela, os outros também se remexiam, inquietos, esfregando a língua no céu da boca, tentando identificar aquele ranço que parecia ter grudado na alma. Nenhum deles recordava o que havia acontecido, e talvez fosse melhor assim. No Inferno, o