Mundo de ficçãoIniciar sessão
Aviso: Este livro é a continuação de Contrato de Casamento com o Mafioso Cruel
Leana (Lelê)
Ser albina nunca facilitou minha vida.
As pessoas me olhavam como se eu fosse uma aberração ou uma boneca de porcelana prestes a quebrar. Meu pai, o grande Capo Dmitri, conhecido como Lobo ou Fantasma dependendo do humor, queria nos manter trancadas em casa para sempre. Graças à minha mãe, isso não aconteceu.
Ela é a única pessoa no mundo capaz de transformar o homem mais impiedoso da máfia em um cachorrinho apaixonado.
Eu e Laena somos gêmeas, mas ninguém diria isso olhando para nós. Ela nasceu para ser princesa, é delicada, paciente, bondosa. Eu? Eu nasci para causar caos. Queria assumir os negócios do meu pai, sujar as mãos de sangue se fosse preciso e viver sem coleira.
Infelizmente, nossas mãos já foram prometidas a dois idiotas desde o berço.
Nossos pais guardam o segredo como se fosse ouro, mas eu vou descobrir. E quando descobrir, vou fazer de tudo para atrapalhar.
_ Poxa, Lalá, são só algumas horinhas! Deixa de ser chata! _ Sacudi os braços da minha irmã enquanto ela me olhava horrorizada.
Seus olhos escuros e cílios longos a faziam parecer uma boneca. Uma princesa de verdade.
_ Você só pode estar maluca! Se o papai nos pegar, ele nos vira do avesso!
_ Ele só vai nos colocar de castigo. Para de drama!
_ Nosso aniversário é amanhã, Leana! Como vamos aparecer com a cara toda amassada?
Joguei-me na cama e abafei um grito no travesseiro. Laena sentou na penteadeira, mexendo no cabelo como se estivéssemos indo para um baile real.
_ Por que você está se arrumando tanto? É por causa do Diego? _ Perguntei mesmo sabendo a resposta.
_ N-não! Claro que não! Não seja ridícula!
Eu sorri. Sabia que ela mentia. Laena vivia lançando olhares para o filho bonitão da tia Olivia. Diego era tudo que uma garota romântica sonhava... exceto pelo fato de ser frio como pedra, diria que um verdadeiro babaca.
_ Uhum... Aposto que ele vai estar com aquele terno azul marinho que marca os músculos e deixa aquele volume bem...
_ LEANA!
Ela jogou o pente em mim, vermelha como tomate. Eu ri e continuei provocando até ela correr para o banheiro. Entrei atrás, tirei a roupa e me juntei a ela debaixo do chuveiro.
Ficamos abraçadas por longos minutos. Senti o corpo dela tremendo.
_ Você acha que o papai vai nos casar com homens velhos? _ Perguntou ela, com a voz trêmula.
_ Espero que não... Mas se for, eu protejo você.
Terminamos o banho e nos vestimos rápido. Peguei duas toucas para esconder nossos cabelos e a levei até a despensa.
_ Tem uma passagem secreta que o papai mandou construir.
_ Você é louca...
Mesmo reclamando, ela me seguiu. Depois de correr pelos corredores e passar por uma entrada apertada, saímos na estufa da mamãe.
O resto foi fácil. Esperamos o soldado que saía todo dia à meia-noite comprar cigarro, entramos no porta-malas e fugimos.
A festa estava lotada. Música alta, luzes coloridas, cheiro de álcool e suor. Meu colega de escola nos recebeu com um sorriso safado.
_ Meninas, que milagre!
_ Sinta-se honrado com nossa ilustre presença! _ Respondi, convencida.
Arrastei Laena até a mesa de bebidas. Ela estava apavorada.
_ Mana... Acho melhor a gente ir embora. E se o papai descobrir?
_ Relaxa. Eu te protejo.
Bebemos. Dançamos. Por alguns minutos, me senti livre, muito mais livre do que me senti a vida inteira.
Até meu colega me puxar pelo braço com força. Laena, agarrada em mim, caiu no chão. Todo mundo riu, e de repente, todos os olhos estavam em nós.
_ Caramba, a bebida tá batendo! _ Gritou alguém.
Ajudei minha irmã a se levantar. Seus olhos já estavam cheios de lágrimas. Lalá é uma chorona compulsiva, e chora por tudo.
_ Podemos ir pra casa? _ Perguntou ela, engolindo o choro.
_ Sim, vamos.
Mas o idiota bloqueou nossa passagem.
_Por que tão cedo, gatinhas?
_ Porque você é um babaca. Sai da frente!
Ele riu com desprezo.
_ Ué, tá irritadinha, aberração? Nem devia ter convidado vocês. Duas esquisitas filhinhas de papai...
Laena começou a chorar. Meu sangue ferveu na mesma hora.
Fechei o punho e acertei em cheio o nariz dele. Ele caiu, mas se levantou rápido, furioso, vindo pra cima de nós duas.
Foi quando ouvi a voz que eu mais detestava, a voz que faz meu estomago revirar de ódio.
_ Se tocar nelas, você morre!
Emanuel e Diego surgiram atrás do meu colega, com olhares mortais.
Minha irmã soluçou mais alto. Eu senti um arrepio descer pela coluna.
Eles sabiam? E se eles estavam aqui... nosso pai provavelmente também sabia.
Droga, isso não estava no roteiro..







