Início / Romance / Prisioneira do Homem que Amei / Capítulo 4: Regras e Limites
Capítulo 4: Regras e Limites

Alejandro a arrastou pelo longo corredor sem soltar seu braço nem por um segundo. Valeria tentava se soltar, fincando os calcanhares no chão de mármore, mas ele era forte demais, implacável. Seus dedos pareciam algemas de aço quente ao redor de sua pele. Ele a levou até o salão principal — um ambiente gigantesco, luxuoso, com janelas que iam do chão ao teto e uma vista impressionante e quase irreal de toda a cidade se estendendo lá embaixo como um tapete de luzes.

— Me solte! — exigiu ela, puxando o braço com toda a força que conseguia reunir.

Alejandro finalmente a soltou, mas posicionou seu corpo largo bloqueando completamente a saída. Ele a olhou com aquela calma fria e calculada que sempre a deixava nervosa, como se estivesse diante de um predador que sabia exatamente quando atacar.

— Sente-se — ordenou ele, apontando para um dos sofás de couro negro.

Valeria cruzou os braços sobre o peito e permaneceu de pé, desafiadora.

— Eu não sou um cachorro para você me dar ordens como quiser.

Alejandro soltou um suspiro longo, como se estivesse lidando com uma criança rebelde e teimosa. Tirou o paletó do terno com movimentos precisos e o colocou sobre o encosto de uma cadeira. Depois sentou-se no sofá à frente dela, cruzando as pernas e fixando nela aquele olhar intenso que parecia capaz de ler sua alma.

— Vamos deixar as coisas bem claras a partir de agora, Valeria. Não vou repetir duas vezes.

Ela ergueu uma sobrancelha, esperando com o coração acelerado.

— Primeiro: você não vai sair deste penthouse sem mim. Nem para o balcão. Nem para respirar ar fresco.

— Segundo: zero contato com o mundo exterior. Sem ligações, sem mensagens, sem redes sociais, sem e-mails. Nada.

— Terceiro… — Os olhos dele escureceram perigosamente, tornando-se quase negros. — Você não vai me desafiar na frente da minha equipe. Se eu mandar você descer, você desce. Se eu mandar comer, você come. Se eu mandar respirar, você obedece. Entendido?

Valeria soltou uma risada amarga e cheia de incredulidade.

— E se eu não obedecer?

Alejandro se inclinou para frente, apoiando os cotovelos nas coxas musculosas, o olhar fixo no dela.

— Então você vai aprender da pior forma possível que não é uma boa ideia me desafiar.

Ele se levantou com elegância e caminhou até o pequeno bar de canto. Serviu dois copos de água gelada e estendeu um para ela. Desta vez, Valeria aceitou, embora apenas para ter algo sólido entre as mãos trêmulas.

— Quanto tempo você pretende me manter presa aqui? — perguntou ela após um longo e pesado silêncio.

— Todo o tempo que for necessário até você entender que este é o seu lugar. Ao meu lado.

Valeria bateu o copo com força sobre a mesa de centro.

— Lugar? Pertencer? Você não me possui, Alejandro!

Ele deu dois passos largos em sua direção, invadindo completamente seu espaço pessoal. O perfume dele a envolveu como uma névoa perigosa.

— Não? — perguntou com voz baixa, rouca e extremamente perigosa. — Então me explique, Valeria… por que seu corpo ainda reage dessa forma quando eu me aproximo?

Valeria sentiu o rosto queimar de vergonha. Deu um passo atrás, mas Alejandro avançou, encurtando a distância novamente.

— Admita — sussurrou ele, quase contra seus lábios. — Mesmo me odiando… você ainda sente a mesma coisa que sentia há cinco anos.

— Isso não é verdade — respondeu ela, mas sua voz saiu fraca, quase um sussurro traidor.

Alejandro ergueu uma mão grande e acariciou sua bochecha com o dorso dos dedos. O toque foi surpreendentemente suave, contrastando violentamente com a dureza de suas palavras.

— Sua mente pode tentar mentir para mim, Valeria… mas seu corpo não mente.

Ela afastou a mão dele com um tapa brusco.

— Não encoste em mim.

Ele sorriu, mas não era um sorriso gentil. Era escuro, predatório e cheio de promessas.

— Você ainda tem fogo dentro de si. Eu gosto disso. Vai ser muito mais divertido quando eu conseguir apagá-lo… ou transformá-lo em algo diferente.

Valeria sentiu um arrepio intenso percorrer toda a sua espinha. Deu mais um passo para trás.

— O que você realmente quer de mim, Alejandro? Vingança? Controle total? O que é?

Ele a encarou em silêncio por vários segundos carregados de tensão antes de responder, a voz grave e sincera:

— Eu quero o que você me roubou quando foi embora. Quero os cinco anos que você tirou de mim. Quero que você me olhe novamente como me olhava antes… antes que enchessem sua cabeça com mentiras venenosas.

Valeria sentiu que lhe faltava o ar. A intensidade no olhar dele era esmagadora, quase sufocante.

— Eu não posso te dar isso — sussurrou ela. — Aquela Valeria… já não existe mais.

Alejandro deu mais um passo, ficando tão perto que seus corpos quase se tocavam. O calor dele a envolvia.

— Então eu vou fazer ela voltar — declarou com determinação férrea. — Mesmo que eu precise te quebrar em mil pedaços para depois te reconstruir do jeito que eu quero.

Ele se inclinou lentamente até que seus lábios ficassem a poucos centímetros dos dela.

— E quando eu conseguir… você vai implorar para que eu nunca mais te deixe ir.

Valeria prendeu a respiração, sentindo o coração bater descontrolado contra as costelas. O ar entre eles estava eletrificado.

Ela recuou até que suas costas batessem contra a parede de vidro frio. Não havia mais espaço para fugir. Alejandro parou a apenas alguns centímetros, tão perto que ela podia sentir o calor de seu hálito contra o rosto.

— Eu não tenho medo de você — afirmou ela, embora sua voz tremesse levemente.

— Deveria ter — respondeu Alejandro em voz baixa e ameaçadora. — Porque eu não sou mais o mesmo homem que você conheceu há cinco anos. Aquele Alejandro ainda tinha um pouco de paciência. Esse homem… já não existe mais.

Ele ergueu uma mão e colocou uma mecha rebelde de cabelo atrás da orelha dela com uma delicadeza que contrastava violentamente com a dureza de suas palavras.

— Durante cinco anos eu imaginei este momento de mil formas diferentes — continuou ele. — Às vezes eu te encontrava e te trazia de volta para casa com carinho. Outras vezes te encontrava nos braços de outro homem… e destruía quem tivesse ousado tocar no que era meu.

Valeria sentiu um calafrio percorrer sua coluna.

— Eu não sou sua.

Alejandro sorriu com amargura e possessividade.

— Aí é que você se engana. Você foi minha desde o primeiro dia em que pisou no meu escritório. E continua sendo, mesmo que se recuse a aceitar.

Ele se afastou alguns passos, dando-lhe um breve momento de alívio. Valeria respirou fundo.

— Vou te dar uma única oportunidade — disse ele, enfiando as mãos nos bolsos da calça. — Se você cooperar, sua estadia aqui será muito mais suportável. Se resistir… as coisas vão ficar bem difíceis.

— Cooperar em quê, exatamente?

— Em aceitar sua nova vida. Em parar de lutar contra o inevitável. Em me deixar cuidar de você como eu sempre deveria ter feito.

Valeria soltou uma risada incrédula e cheia de dor.

— Cuidar de mim? Me trancando num penthouse como se eu fosse sua prisioneira? Isso é cuidar para você?

Alejandro a olhou com seriedade mortal.

— Prefiro te ter presa e viva do que livre e em perigo constante. Raúl não era o único que queria te fazer mal. Meu mundo se tornou muito mais perigoso depois que você foi embora. A melhor forma de me atingir… sempre foi através de você.

Valeria franziu a testa, confusa.

— Você está dizendo que me sequestrou para me proteger?

— Eu te trouxe de volta porque você é minha — respondeu ele com crueza. — Mas sim, também para te proteger. Você não faz ideia do quanto meu mundo se tornou letal.

Ele caminhou até o bar e serviu um copo de whisky. Ofereceu um a ela, mas Valeria recusou com a cabeça.

— Me diga uma coisa — perguntou Alejandro após tomar um longo gole. — Você foi feliz nesses cinco anos?

Valeria ficou em silêncio por vários segundos antes de responder com honestidade dolorosa:

— Eu aprendi a sobreviver. Não era felicidade… era pura sobrevivência.

— E houve mais alguém? — A voz dele soava calma, mas seus olhos revelavam uma tempestade contida e perigosa. — Algum homem que te tocou?

Valeria ergueu o olhar e o enfrentou diretamente.

— Isso te importaria?

A expressão de Alejandro mudou completamente. Ele deu um passo à frente com uma intensidade que a fez prender a respiração.

— Se algum homem encostou um dedo em você… eu vou encontrar cada um deles. E vou fazer todos pagarem caro por cada segundo que ousaram tocar no que me pertence.

Valeria sentiu o coração disparar.

— Não houve ninguém — admitiu em voz baixa, quase envergonhada. — Eu nunca consegui… estar com mais ninguém. Toda vez que tentava, seu rosto aparecia na minha mente.

Por um breve instante, a expressão de Alejandro se suavizou. Ele deixou o copo sobre a mesa e se aproximou devagar.

— Ótimo — sussurrou ele, quase aliviado. — Porque só a ideia de outro homem te tocando me deixa completamente louco.

Ele segurou o rosto dela com as duas mãos grandes e quentes, obrigando-a a olhar diretamente em seus olhos.

— Você é minha, Valeria. Foi minha desde o começo. É minha agora. E sempre será.

Valeria sentiu as lágrimas voltarem a queimar seus olhos.

— Não sei se vou conseguir te perdoar por tudo isso — sussurrou ela.

— Eu não estou pedindo perdão — respondeu ele com sinceridade brutal. — Estou pedindo tempo. O resto… vamos construindo dia após dia.

Ele se inclinou e depositou um beijo suave e surpreendentemente gentil em sua testa. O gesto foi tão inesperado que Valeria ficou paralisada.

Quando Alejandro se afastou, sua expressão havia voltado a ser fria e controlada.

— Agora vá para o seu quarto. Descanse. Esta conversa ainda não terminou.

Valeria o olhou uma última vez antes de caminhar pelo corredor, com as pernas trêmulas.

Ela sabia que estava em sérios problemas.

Porque embora sua mente gritasse que o odiava… seu coração, traidor, começava a duvidar.

Continue lendo este livro gratuitamente
Digitalize o código para baixar o App
Explore e leia boas novelas gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de boas novelas no aplicativo BueNovela. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no aplicativo
Digitalize o código para ler no App