Capítulo 153
A lembrança veio como um fragmento distante…
Ondas brancas.
Escuridão.
Um corpo sendo arrastado pela maré.
Luna — abriu os olhos por um segundo naquela noite fria, há quatro anos. Viu um barco ao longe. Viu um homem correndo na areia.
Júnior.
Ele a encontrou quase sem vida, presa entre galhos e água salgada. Fez massagem cardíaca. Gritou Moça — o nome que ela não tinha.
Ela despertou por meio segundo.
Depois… apagou de novo.
Hospital.
Luzes fortes.
Gente falando rápido.
Tubos.
Silêncio.
Um ano inteiro de silêncio.
Quando abriu os olhos novamente, Júnior estava lá.
Sempre esteve.
Ela não lembrava nada.
Nem nome.
Nem lugar.
Nem rosto de ninguém.
Então ele a chamou de Luna.
E assim ficou seu nome.
Mas às vezes…
Às vezes ela sonhava com duas crianças correndo na areia.
Rindo.
Chamando alguém.
Chamando ela.
E aquilo doía sem explicação.
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O flash passou. Luna tocou a têmpora, confusa, enquanto Ana a observava com o