06

Alisson começou a guardar seus pertences com movimentos mecânicos, sentindo que o corpo pesava uma tonelada. De repente, ao se inclinar para pegar a bolsa, o mundo se inclinou com ela. O chão do escritório pareceu ondular e uma mancha escura invadiu sua visão periférica.

— Harper! — o grito de Massimiliano soou distante, como se viesse do fundo de um túnel.

Antes que seus joelhos tocassem o carpete, braços fortes e firmes a ampararam. O calor do corpo de Massimiliano a envolveu e, por um segundo, seus braços robustos foram a única coisa estável em seu universo. Ele a segurou com uma força que desmentia sua frieza habitual; seus olhos azuis, por um breve instante, perderam o brilho gélido para se encherem de um alarme genuíno enquanto escaneavam o rosto pálido dela.

— Estou bem... me solte — sussurrou Alisson, recuperando o fôlego e se afastando desajeitadamente assim que sentiu o sangue voltar à cabeça.

Massimiliano a soltou, mas suas mãos ficaram suspensas no ar por um segundo, como se seus dedos resistissem a perder o contato, antes de se fecharem em punhos e voltarem para a lateral do corpo.

— Vá para casa. Peter a espera lá embaixo para levá-la — ordenou, recuperando sua máscara de pedra.

— Não é necessário. Pegarei um táxi por conta própria — respondeu ela sem encará-lo, fugindo da sala antes que ele pudesse retrucar.

Massimiliano a viu sair; no fundo, sentia irritação e uma preocupação que se recusava a admitir. Desceu até a garagem e entrou no banco de trás do carro, onde Peter já estava ao volante. O trajeto foi silencioso até que o assistente se atreveu a quebrar o gelo.

— O senhor está bem? — perguntou Peter pelo espelho retrovisor.

— Sim — mentiu Massimiliano em um sussurro quase inaudível, olhando as luzes da cidade passarem. Mas em sua mente, a imagem de Alisson desmaiando se repetia como uma fita defeituosa.

No dia seguinte, Massimiliano decidiu que não voltaria a ser "delicado". Seu breve momento de humanidade havia se transformado em uma armadura ainda mais dura, como se precisasse castigá-la por tê-lo feito se sentir vulnerável. Mandou chamar Alisson à sua sala assim que o relógio marcou oito da manhã.

Quando ela entrou, ele sequer levantou os olhos da mesa.

— Estes são os três novos projetos da conta regional — explicou ele, deslizando uma pilha de pastas que pesavam mais que o bom senso. — Quero as análises de mercado, as propostas visuais e o detalhamento do orçamento para amanhã ao meio-dia.

Alisson sentiu um nó na garganta. O cansaço queimava seus olhos e os enjoos matinais mal lhe tinham dado trégua.

— Senhor... isso é demais para uma pessoa só em vinte e quatro horas. Tenho o plano de mídia da Luxe pendente e...

— Está questionando uma ordem direta, Harper? — Massimiliano levantou o olhar, e seus olhos azuis eram como duas lâminas. — Se não consegue acompanhar o ritmo desta agência, talvez devesse ter deixado a sua carta de demissão na minha mesa.

Alisson apertou os punhos debaixo da mesa. Queria gritar que ele era um tirano, um chefe insensível e explorador. Abriu a boca para se defender, mas ao ver a expressão implacável dele, seus ombros caíram.

— Não, senhor. Estará pronto — sussurrou ela, pegando as pastas com as mãos pesadas.

— Retire-se. E não quero erros — sentenciou ele, voltando ao trabalho como se ela já não existisse.

O expediente foi eterno. Alisson trabalhou sem descanso, pulando o almoço porque o simples cheiro de comida a deixava enjoada. Perto da meia-noite, o silêncio no escritório era absoluto. Massimiliano saiu de sua sala e viu que a única luz acesa era a da mesa de Alisson. Ela havia adormecido sobre os braços cruzados, vencida pela exaustão.

Ele ficou ali, de pé, observando-a por um tempo que não soube medir. Seu olhar desceu para a mesa e notou que, sob o braço dela, havia um caderno pessoal aberto. Não era uma agenda de trabalho; era um diário de folhas cor de creme.

Movido por uma curiosidade que sabia ser uma invasão intolerável, Massimiliano puxou o caderno com extremo cuidado. Seus olhos se cravaram nas últimas linhas, onde a tinta parecia ter borrado por causa de lágrimas:

*"Oito semanas e o medo não passa. Como vou te proteger se não consigo nem me proteger da minha própria mãe? Ela diz que você é um fardo, mas para mim, você é a única coisa real que me resta. Tenho pavor de ver Massimiliano todos os dias... Ele não sabe que carrego o sangue dele dentro de mim. Como dizer a Massimiliano Fitzwilliam que ele vai ser pai?"*

O mundo de Massimiliano parou. O ar em seus pulmões virou chumbo. *Pai.* Seus dedos apertaram as bordas do caderno com tanta força que o papel amassou. Naquele momento, Alisson soltou um suspiro e acordou. Ao levantar os olhos, deparou-se com aqueles olhos azuis tempestuosos a encarando com uma intensidade que a fez estremecer. Seu coração deu um salto de pânico ao ver o que ele tinha nas mãos.

— Senhor... — começou a dizer, endireitando-se de supetão. — Eu... sinto muito, já estou quase terminando...

— É verdade? — interrompeu ele. Sua voz era um rugido contido.

Ele jogou o caderno sobre a mesa, quase atirando-o na frente dela. Alisson sentiu a alma escapar do corpo. Seu segredo estava exposto.

— Senhor Fitzwilliam, eu... — sua voz falhou.

— Não minta para mim, Alisson — rugiu ele, encurtando o espaço até que pudesse sentir o calor dela. — O bebê que você está esperando é meu?

Alisson assentiu levemente enquanto um soluço escapava de seus lábios. Massimiliano fechou os olhos, processando o golpe. Estava furioso. Segurou o rosto dela com brusquidão, obrigando-a a encará-lo, sem nenhum rastro de ternura. Após um silêncio eterno, soltou-a como se a pele dela o queimasse.

— Não vou tomar uma decisão agora — soltou ele, com uma calma que a deixou apreensiva. — Isso é um inconveniente que não estava nos meus planos, Alisson. Pense bem... nada disso é uma vantagem para você, muito menos para mim. Não espere que uma confissão mude o fato de que nós não somos nada.

Caminhou em direção à porta, mas o desprezo foi o estopim que quebrou o medo dela.

— Simples assim? — gritou Alisson. — Você acha que pode virar as costas e fingir que não tem uma responsabilidade? Acha que vou me livrar deste bebê porque ele não se encaixa na sua agenda de Diretor-Geral?

Massimiliano parou de imediato e virou-se lentamente.

— Meça as suas palavras, Alisson. Naquela noite eu permiti que você entrasse na minha cama, mas não te dei permissão para entrar na minha vida. Você é uma funcionária desta agência, e eu sou o homem que te permite viver. Por que o seu nome e o meu deveriam sequer estar na mesma frase?

Alisson trincou os dentes, recusando-se a ser humilhada ainda mais.

— Não quero o seu dinheiro nem o seu sobrenome. Mas vou ter esse bebê, não importa o que você pense. Não preciso que você "assuma" nada.

Massimiliano a observou como se ela fosse um erro contábil.

— Veremos o que o tempo dirá sobre essa sua coragem. Por enquanto, limpe o rosto e vá para casa. Amanhã quero você aqui na primeira hora. Não pense que isso a isenta das suas obrigações.

Saiu do escritório sem olhar para trás, deixando Alisson sozinha sob a luz amarelada, tremendo de raiva e com o coração em pedaços.

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