Mundo ficciónIniciar sesiónEle deu um passo à frente, fechando o último espaço entre nós. A mão dele subiu devagar, tocando meu rosto com uma delicadeza que eu não esperava de um homem tão grande. O polegar trilhou o contorno da minha mandíbula, e eu estremeci fechando os olhos.
Aquela sensação de nervosismo veio e foi embora rapidamente, substituindo pela expectativa aclamada do próximo movimento dele.
— Dizem que quando a mulher fecha os olhos com um simples toque, é porque querem que a as beije. - A voz dele soou próximo demais, com uma provocação sensual, sentido o halito dele em meu rosto, o cheiro de menta me atingiu, mas não abrir os olhos.
— Estou esperando. - Digo, devolvendo a provação.
Não houve tempo para delicadezas, no entanto. Quando as palavras " estou esperando " deixaram meus lábios, o controle que Lucian parecia sustentar desmoronou.
Ele avançou, fechando o último centímetro de distância com uma urgência que me fez perder o fôlego. Suas mãos espalmaram-se no parapeito de vidro atrás de mim, me prendendo em um cerco de calor e músculos, e então sua boca encontrou a minha em um impacto devastador.
O beijo não foi um convite; foi uma colisão.
Era explosivo, carregado de uma fome que parecia acumulada há anos. O gosto dele era uma mistura de hortelã, gim e um desejo puro que me atingiu como um raio. Minhas mãos, antes hesitantes, subiram desesperadas para o peito dele, agarrando o tecido da camisa branca, sentindo os batimentos acelerados do seu coração contra as minhas palmas.
Eu não queria ternura. Eu queria ser consumida. Queria que aquele beijo apagasse cada rastro do toque de Sebastian, cada palavra de humilhação que eu tinha ouvido naquela semana. E Lucian parecia entender isso sem que eu precisasse dizer uma única palavra.
Ele soltou o parapeito e uma de suas mãos subiu para a minha nuca, os dedos se embrenhando no meu cabelo com força, inclinando minha cabeça para aprofundar o beijo. A outra mão desceu para a minha cintura, puxando meu corpo contra o dele com tanta firmeza que eu pude sentir a rigidez dos seus músculos através do meu vestido. O contraste entre o vento gélido de Mayfair que açoitava nossas peles e o fogo que ardia entre nós era entorpecedor.
Soltei um som baixo, quase um gemido de pura rendição, quando a língua dele invadiu minha boca com uma autoridade que me fez vacilar nas pernas. Eu estava tonta, e não era mais por causa do álcool. Era ele. Era a forma como ele me segurava, como se eu fosse a única coisa que importasse naquela cidade iluminada lá embaixo.
Interrompemos o beijo por apenas um segundo, ofegantes, nossas testas encostadas e os pulmões lutando por ar. Os óculos dele estavam levemente embaçados pelo calor de nossas respirações, e seus olhos verdes, agora quase negros de desejo, fixaram-se nos meus com uma promessa perigosa.
— Alysson... — ele rosnou meu nome falso, a voz mais rouca do que nunca. — Se continuarmos aqui, Londres inteira vai ser testemunha do que eu quero fazer com você.
Eu perdi o resto que ainda tinha em meus pulmões com aquela confissão, mas ao invés de sentir nervosismo de novo ou até mesmo vergonha, algo dentro de mim estremeceu e no meio das minhas pernas formigou, em expectativa descarada.
— Vamos para outro lugar. - Foi tudo que consegui dizer, pois nem mesmo reconhecia minha voz, rouca e baixa pelo desejo.
Lucian não precisou ouvir duas vezes. Ele me pegou pela mão, os seus dedos entrelaçados nos meus com uma força possessiva, e me guiou de volta para o elevador. O trajeto até o quarto de hotel pareceu durar uma eternidade e um segundo ao mesmo tempo, cada centímetro de pele que se tocava nos corredores silenciosos era um lembrete de que, naquela noite, eu não era Collins Laurent. Eu era apenas Alysson. E ele era apenas o homem que estava prestes a me fazer esquecer o mundo.
O trajeto pelo corredor silencioso do quadragésimo andar parecia uma eternidade magnetizada. Lucian não soltou minha mão; seus dedos estavam firmemente entrelaçados aos meus, e eu podia sentir o pulso dele batendo contra a minha pele, num ritmo tão frenético quanto o meu.
Paramos diante de uma porta de madeira escura e pesada. Mais uma vez, o cartão dourado reluziu sob a iluminação suave do hall. O clique da fechadura eletrônica ecoou como um veredito definitivo.
Assim que entramos, não houve espaço para o protocolo de acender luzes ou admirar a opulência da suíte. Lucian chutou a porta para fechá-la e, no mesmo movimento, me prensou contra a madeira lisa. O impacto não foi rude, mas carregado de uma urgência que arrancou um arquejo profundo de meus pulmões.
Suas mãos, que antes eram cautelosas, agora agiam com uma posse faminta. Elas subiram pelas minhas coxas, arrastando a bainha do meu vestido, enquanto sua boca reencontrava a minha com uma força que me fez esquecer qualquer traço da minha identidade real.
Eu respondi na mesma intensidade. Minhas unhas cravaram-se em seus ombros largos, sentindo a fibra muscular rígida sob o tecido fino da camisa.
Ele se afastou apenas o suficiente para me encarar. Na penumbra, seus olhos verdes eram poços profundos e escuros de desejo. Com um gesto impaciente, ele tirou os óculos e os jogou sobre uma poltrona próxima. Sem as lentes, seu olhar era cru, desarmado e perigosamente focado.
— Eu não deveria estar fazendo isso — confessou, a voz falhando por um segundo enquanto sua testa encostava na minha. — Mas eu não consigo parar. Não desde o instante em que vi você.
Mesmo com o fôlego curto, mantive a voz em um sussurro magnético:
— Não vejo nada que o impeça de seguir em frente, além de você mesmo.







