Mundo ficciónIniciar sesiónEu não sabia o que esperar de um estranho.
Depois de tanto tempo de relacionamento, eu não sabia o que deveria fazer. Claro, eu não sou uma idiota, sei clamante o que pode acontecer, mas não tinha certeza se estava pronta para isso.
Depois daquele convite e declaração inesperada, eu aceitei ir com o Barman para outro lugar. Lucian falou com um do seu muito companheiro de trabalho, parecendo avisar sua saída, antes de vim até mim.
Ele estendeu para mim, em um novo convite silencioso, eu sabia que podia recusar ali mesmo, mas nossos olhares se encontraram de novo e uma sensação me invadiu, uma mistura de curiosidade com acolhimento, tensão e desejo, porém, minha resignação falou mais alto.
Eu tinha vindo para essa festa me divertir e distrair, e era exatamente isso que esse homem estava me propondo.
Pego em sua mão e me levanto do banco. Ele abriu um rápido sorriso de lado e sem dizer nada, me guio entre as pessoas, passando pela pista e indo em direção a parte de trás do DJ.
Passamos perto de onde Mady ainda estava com o outro barman, ela me viu, assim que nossos olhares se encontraram, e ela percebeu quem estava comigo, ela primeiro teve uma rápida reação de surpresa e depois abriu um grande sorriso de aprovação, não nos falamos, mas um rápido sinal de joinha e um de telefone foi o suficiente para eu entender que ela estava feliz por mim e que qualquer coisa eu devia ligar para ela, fiz o mesmo sinal e ali nos despedimos.
Lucian parecia conhecer cada atalho daquele hotel; ele me guiou por um corredor discreto, atrás de uma cortina de veludo pesado, onde o som ensurdecedor do DJ se transformou em um eco distante.
Paramos diante de um elevador de metal escovado. Ele encostou um cartão magnético dourado no painel, estranhei que ele tivesse um cartão dourado, geralmente essas cores indica um grande cargo, mas não questionei, primeiro que isso não importava no momento e segundo que eu não queria parecer preconceituoso só porque ele tinha um cartão como aquele, eu não sei nada sobre ele para sair falando qualquer coisa.
As portas se abriram silenciosas.
Assim que entramos, o silencio preencheu o ambiente, e aquele nervosismo começara a aparecer novamente, eu estou parada no meio do elevador e ele está ao meu lado, ainda segurando minha mão, mas não está me tocando realmente.
Será que eu entendi mal toda a situação?
— Para onde estamos indo? — perguntei, minha voz saindo mais baixa do que o normal, tentando de alguma preencher o silencio levemente constrangedor, ou até tentando diminuir meu nervosismo.
Ele me olhou de soslaio, um brilho divertido por trás das lentes dos óculos.
— Para longe do barulho. - Sua voz soou rouca e sedutora, mas talvez fosse só o álcool falando mais alto.
Saímos no quadragésimo andar. O ar ali em cima era diferente; mais frio, mais puro. O terraço era uma plataforma de vidro que parecia flutuar sobre o abismo de Londres. O vento bagunçou meu cabelo e trouxe o cheiro fresco da noite, limpando meus pulmões.
— Uau... — Caminhei até o parapeito de vidro, maravilhada.
Lá embaixo, Londres era um formigueiro de luzes Pulsantes. O Shard subia em direção às nuvens, e o Tâmisa era uma serpente escura cortando a cidade. Ali, o silêncio era absoluto.
Senti a presença dele atrás de mim. O calor de Lucian era como um casaco invisível me protegendo do frio de Mayfair.
— Melhor do que a pista de dança? — a voz dele vibrou rente ao meu pescoço, profunda e calma.
Virei-me para encará-lo. Ele tinha tirado o avental e aberto os primeiros botões da camisa branca, revelando a base do pescoço e a pele bronzeada. Sem as luzes da festa, ele parecia ainda mais imponente.
— É indescritível — admiti, sentindo meu coração acelerar. — Como você consegue vir aqui?
Ele encurtou a distância até que nossas roupas quase se tocassem, apoiando as mãos no parapeito, me cercando.
— Eu tenho meus privilégios. Mas esta noite, o maior deles é estar aqui com você... — Ele fez uma pausa, os olhos verdes me estudando com uma intensidade que me deixou sem fala.
Nos encaramos por um momento, então rimos em sonoro. Eu ri envergonhada por ouvir sua investida tão descara, ele pareceu rir de nervosismo, algo parecido com acanhamento, o que deixo ainda mais bonito e sexy.
— Ficou ridículo essa cantada. - Ele diz, passando a mão pelo cabelo, nervosamente. - Desculpe, faz um tempo que eu não faço isso.
Balanço a cabeça negando e abro um sorriso divertido, me segurando para não o tocar, pois ele ficara absurdamente lindo quando está com vergonha.
— Não achei ridícula, eu gostei e você não me parece o tipo de homem que fica nervoso perto de uma mulher, estou mexendo com sua cabeça? - O provoco, mordendo os labios.
— Desde o momento em que se sentou no meu bar para pedir um Cosmopolitan. - Ele confirmou com tanta convicção que parecia verdade. Ele levantou a mão e tirou um fio de cabelo que caia no meu rosto e passou para trás da orelha. - Uma mulher que nem mesmo sei o nome mexeu comigo em um espaço de tempo curto, devo me preocupar?
Percebi que não havia me apresentado, em nenhum momento tinha dito meu nome a ele, eu não sabia se era bom dizer meu nome a um estanho, mas a àquela altura, não saberia dizer o que é certo ou errado de fato, e as vezes do meu subconsciente estavam brigando entre a razão e a desordem. No final, acabei dizendo por impulso:
— Eu me chamo Alysson. - Minha voz saiu um pouco urgente, soado como a mentira deslavada que era, então abrir um sorriso de lado, sem graça, para amenizar a situação. - Não é tão preocupante agora, certo?
— Alysson... — Ele repetiu, a palavra saindo de sua boca como um sussurro rouco. — Um nome doce para alguém com um olhar tão tempestuoso.







