O dia amanheceu abafado, com aquele silêncio pesado que antecede alguma coisa que ninguém sabe nomear, mas todo mundo sente na pele antes de enxergar. Manuela acordou antes do despertador, como vinha acontecendo nas últimas semanas, e ficou alguns segundos imóvel na cama, escutando os ruídos da casa simples onde morava com a mãe, tentando identificar se havia algo diferente no padrão habitual. O rangido da madeira. O barulho distante de um caminhão na estrada principal. O canto irregular de um