Sou levado, não sei como. Só sei que em algum momento estou no banco do carro, a janela aberta, o ar frio batendo no rosto. Minha cabeça cai para o lado.
- Por que você faz isso com você, cara? - Bernardo pergunta, mais cansado do que bravo.
Rio fraco. Um riso quebrado.
- Porque eu sou um idiota... - murmuro. - Quando algo é bom demais, eu estrago.
Ele suspira, para o carro em um sinal.
- É sobre ela, né?
Meu peito aperta. Forte. Dolorido.
- Eu menti... - a voz falha. - Mas não foi