Mundo de ficçãoIniciar sessãoJOHN
Eu sabia que Carla ter me mandado para o seu quarto era uma tentativa de não me deixar vê-la sofrer no meio de toda a bagunça que ficou de sua agressão. E eu respeitei isso, mas quando voltei e a vi tão concentrada olhando seus desenhos, a necessidade de fazê-la parar de pensar no terror daquela manhã brotou em mim.
— Já terminei, suas malas estão prontas — me aproximei, apontando para as bagagens e finalmente atraindo sua atenção. — Não sabia se levaria todas as suas calcinhas e… brinquedinhos, mas coloquei todos na bolsa.
Carla pareceu atordoada, movendo os lábios sem conseguir formar uma palavra, provavelmente descrente demais para raciocinar.
— Você fez o quê?
— Separei tudo para você como pediu — me aproximei, vendo as sobrancelhas perfeitamente delineadas se arqueando. — Embora não imaginasse que você tivesse tantos brinquedinhos adultos.
Ela se adiantou, passando por mim apressada e indo direto para a bolsa de viagem, olhando dentro como se quisesse conferir se eu estava dizendo a verdade. Mas não era mentira, eu realmente tinha pegado a grande coleção de calcinhas dela, além de vibradores e outros brinquedos estranhos.
— Eu não… não acredito que você… — ela gaguejou, com as bochechas vermelhas. — Argh, você tem que sumir da minha vida o mais rápido possível.
— Por quê? Porque fiz exatamente o que me mandou fazer? Ou preferia viver sem calcinha?
— Vou matar você! — ela gritou, vindo em minha direção com fúria nos olhos. Mas, em seu desespero, Carla chutou a mala, deixando a bolsa acima cair e vários dos seus brinquedinhos rolarem pelo chão. — Eu não acredito! Era só o que me faltava.
Precisei segurar a gargalhada, tentando não demonstrar que estava adorando ver o rosto dela completamente vermelho como um pimentão, enquanto corria atrás de cada um deles.
— Em minha defesa, você me pediu para pegar suas roupas justamente porque eu já sabia muito sobre sua vida. Foram essas as palavras que usou — me expliquei, curvando o tronco e apanhando um deles, em formato de flor com uma extensão vibratória na outra ponta, parecendo um cilindro. Começou a vibrar na minha mão, atraindo o olhar dela no mesmo segundo. — O que diabos seria isso?
Carla avançou contra mim, arrancando o vibrador da minha mão antes de jogá-lo junto com os outros e fechar a bolsa.
— Leve minhas malas para o carro. Eu já estou saindo! — ela ordenou, parecendo prestes a explodir. — E, por favor, não mexa mais em nada.
— Sim, senhorita — saí arrastando as malas e sorrindo por ter conseguido o que queria: distraí-la no meio de toda aquela situação. Envergonhá-la foi apenas um bônus.
Mas assim que coloquei tudo no porta-malas, a curiosidade falou mais alto e peguei meu celular, colocando para pesquisar "vibradores em formato de flor". Porque eu não conseguiria me conter sem saber para que servia aquela coisinha potente — e por que Carla ficou sem palavras para explicar.
"Sugadores de clitóris." Era para isso que servia, então — a parte com o pequeno buraquinho no meio das pétalas falsas. Eu jamais imaginaria algo assim e, agora, não conseguiria esquecer disso.
Os passos de Carla se aproximando me fizeram sair da página onde havia uma imensidão de modelos diferentes de sugadores e vibradores.
— Pronta para ir? — perguntei, abrindo a porta de trás, querendo manter sua privacidade. Mas, ao invés disso, Carla abriu a porta da frente e entrou no carro, me deixando ali parado.
— Nós vamos para a casa da minha irmã mais velha. Minha mãe está lá cuidando do bebê e me chamou para fazer companhia — ela confidenciou quando liguei o carro. — Acredito que sabe onde ela mora, não é?
Me virei para dar uma resposta afiada, mas o movimento do carro sacudiu a bolsa em seu colo, fazendo o vestido subir. A coxa dela ficou à mostra e eu rapidamente desviei o olhar de volta para a rua.
Eu não deveria ter mexido na sua gaveta íntima. O certo seria ter fechado assim que percebi o que era, mas, ao invés disso, peguei suas calcinhas e brinquedos. Agora seria difícil não pensar nela usando aquilo.
— Chegamos — falei assim que parei o carro em frente à casa da irmã dela. Não havíamos trocado sequer uma palavra no caminho, e eu fiquei feliz ao ver que Carla tinha adormecido. — Carla? Já chegamos.
Me curvei sobre ela para acordá-la, mas tomei um minuto para encará-la. Carla dormia profundamente, o rosto relaxado, os lábios levemente entreabertos, como se sonhasse com algo bom.
A pele delicada de seu rosto estava começando a ficar ainda mais escura pelos golpes, mas isso não a deixava menos linda. E ali, tranquila, dormindo calmamente, ela parecia ainda mais indefesa.
Algumas mechas de cabelo haviam caído sobre sua bochecha, e a vontade de afastá-las com os dedos foi quase irresistível.
Mas, ao invés disso, respirei fundo, estiquei os dedos e toquei levemente seu ombro, sacudindo-a.
Eu estava ali para protegê-la, não para ficar criando ideias ou perdendo tempo a observando. Mas havia algo nela diferente de todas as mulheres que haviam se aproximado de mim nessa vida — diferente de todas as que protegi até então.
Inclinei-me um pouco, trazendo meu nariz para perto de seus cabelos, sentindo o perfume delicioso que emanava deles, bem mais intenso agora de perto e não apenas com o vento os sacudindo.
— Carla… — murmurei, minha voz rouca e baixa demais, como se meu próprio corpo resistisse a tirá-la daquele sono tranquilo. — Acorda. Já chegamos.
Dessa vez, ela gemeu baixinho, os olhos piscando algumas vezes antes de finalmente se abrirem. Por um segundo, tudo o que fiz foi segurar o olhar dela, preso na profundidade castanha que me hipnotizou.
Mas então a realidade pareceu se abater sobre ela e seus olhos se arregalaram, antes que ela me empurrasse para longe.
— O que você estava fazendo?







