Aurora Moratti
Sebastian marcou um encontro num local que eu nunca tinha visitado: um armazém de restauração de carros antigos nos limites da zona industrial de São Paulo. Era um território neutro, longe dos olhos dos Moretti e dos Viccari.
Quando cheguei, o ar cheirava a óleo e metal. Sebastian estava encostado a um Mustang clássico, com as mangas da camisa enroladas e uma expressão que me fez estremecer. Não era o homem que me tinha feito perder o juízo no hotel; era o homem que Alexandre temia.
— Ele tentou te chantagear? — perguntou ele, aproximando-se.
Aquele homem conseguia me tirar o ar!
Eu não conseguia nem pensar direito perto dele.
— Ele ameaçou contar ao meu pai. Ele está desesperado, Sebastian. O meu pai já começou a destruir a carreira dele. Ele não tem nada a perder. Sabe como funcionam as coisas nesse mundo, Sebastian.
— Homens que não têm nada a perder são fáceis de comprar ou de enterrar — disse Sebastian, tocando no meu rosto com uma delicadeza que contrastava com