Gabriel Ventura
O sol de final de tarde em São Paulo entrava pelas imensas janelas de vidro da Holding Moratti com uma tonalidade de ouro velho, mas não trazia calor. Era uma luz fria, que destacava cada partícula de poeira e cada rachadura invisível naquele império. Eu acabara de sair da sala de Dante. O aperto de mão do patriarca ainda queimava na minha palma, um reconhecimento silencioso, mas carregado de uma promessa de destruição se eu falhasse.
Eu estava caminhando em direção ao elevador