A chegada de Alexandre Moratti
Stella Moratti
Eu nunca soube o que era a paz até aquele momento. Não a paz que se constrói com contratos e acordos de silêncio, mas a paz visceral, a quietude que se instala quando todos os seus demônios são exorcizados. Nossos meses de trégua, de Natal arrumado e de berço montado, eram apenas o prelúdio. A verdadeira vida estava prestes a começar.
Era madrugada do dia 24 de dezembro, a véspera de Natal. O penthouse estava envolto em um silêncio aveludado, apenas quebrado pelo suave crepitar da lareira e o ruído da geladeira. Eu estava na cama, aninhada em Dante, sentindo o calor do seu corpo como a única certeza no mundo. A minha gravidez já estava em seu fim, honestamente, eu sentia que eram os últimos dias que carregava nossos bebê. Meu corpo, minha mente, meu coração, tudo estava pronto para a maternidade, real, meu bebê já podia vir que nós estávamos preparados.
E então, o primeiro sinal.
Não foi dramático, nem como nos filmes. Foi uma ponta