8_ Novo sentido

Apresentações do grupo de apoio

— Bom, pessoal! Olá! Eu sou Jhanson Albuquerque, sou líder e formador do grupo. Sofri traumas quando perdi minha mãe aos 7 anos, morei na rua e hoje estou superando isso. Para quem não me conhece — alguns estão aqui desde o começo — vamos nos apresentar para os mais recentes.

— Eu sou Katty Silva — disse, com a voz firme apesar do olhar cansado. — Perdi meu namorado… para outra. Ele me deixou grávida, eu entrei em surto psicótico, perdi meu bebê e entrei em depressão. Tentei suicídio, mas falhei. Estou aqui há 4 meses e acho que estou indo muito bem.

Enquanto o restante se apresentava, Átila permanecia em silêncio. Ela sentia a presença de Alex como um peso constante no peito, tão real que chegava a doer. Não entendia como nem por que se sentia assim. De olhos fechados, o mundo ao redor desaparecia, como se existissem apenas os dois.

Jhanson: Átila! Átila! — chamou com suavidade. — Querida, e você? Apresente-se.

Átila abriu os olhos devagar, ainda confusa.

Átila: Desculpe… eu estava meio longe. — respirou fundo. — Eu sou recente. Ah… meu namorado… ele morreu recentemente, em um assalto. Ele… quer dizer… a gente…

A voz falhou, e ela precisou parar.

Jhanson: Querida, a gente entende. — disse com cuidado. — Vamos por etapas. Apresente seu nome para os colegas.

— Eu sou Átila. — disse, quase num sussurro. — Sou depressiva, quase me envenenei com remédios e estou sem chão desde que ele se foi.

O restante do grupo continuou as apresentações. Aos poucos, aquela roda de desconhecidos começava a parecer um espaço seguro, quase como amigos unidos pela dor.

_ Eu sou Gustavo Augustin. — começou, ajeitando-se na cadeira. — Sou novo na cidade. Minha mãe me mandou para cá. Meu pai foi violento comigo, e ela decidiu que eu precisava sair de lá, por mais que isso fosse muito ruim. Eu roubei a minha própria casa, roubei meu pai… — engoliu em seco. — Minha melhor amiga se entregou à polícia por mim. Nunca mais tive notícias e nem consegui falar nada em defesa dela. Desde então, eu me afundei em medicamentos não recomendados. E cá estou eu.

Átila sentiu um leve aperto no peito ao ouvir aquele sobrenome. Augustin. Aquilo ecoou em sua mente mais do que deveria.

Zaac: Eu me chamo Zaac Frederick. — falou com um sorriso tímido. — Precisei de um transplante recentemente e quis vir recomeçar minha vida com apoio. Espero que me aceitem.

Na saída, Zaac observou Átila por alguns segundos antes de se aproximar. A menina de cabelo liso, loiro e curtinho parecia distante.

Zaac: Oi, tudo bem? Desculpa… você disse que seu nome é Átila. — hesitou. — Você é da família Willman?

Naquele instante, Átila sentiu o coração acelerar. Era como se Alex estivesse ao seu lado novamente, tão próximo que quase podia senti-lo.

Átila: Ah… sim. — respondeu, ainda abalada. — Átila Willman.

Zaac: Eu sou amigo do seu irmão, Aquila. — disse com naturalidade. — A gente nunca se conheceu.

Ele estendeu a mão. Átila olhou para ela por um segundo longo demais, o corpo tenso, antes de hesitar em retribuir.

Átila: Sim… acho que não. — a voz saiu baixa. — Desculpe, preciso ir.

Ela se afastou rapidamente, o coração acelerado, tomada por uma sensação que não sabia explicar.

De fato, o coração do seu amado parecia estar mais perto do que ela conseguia suportar.

Na pressa, esbarrou em alguém.

Átila: Me desculpa mesmo, eu…

Gustavo: Átila?

Ela levantou o olhar.

Gustavo: Você é mais bonita do que eu imaginava. — disse, ajeitando-se, tentando soar firme.

Átila: Como é que é? — perguntou, confusa.

Gustavo respirou fundo, os olhos ficando marejados.

Gustavo: Você é a garota do vídeo… — retrucou, a voz embargando. — A que procurava pelo seu pai… que também é o meu.

Átila ficou parada, encarando a frieza misturada à dor com que ele dizia aquilo.

Gustavo passou a mão no rosto, como se quisesse afastar as próprias emoções.

Gustavo: Eu preciso deixar claro… — falou, ajeitando a postura. — Eu não concordo com o que ele fez. A gente se desentendeu por causa disso. — engoliu em seco. — Ele iria odiar saber que eu estou com você… irmãzinha.

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