Capítulo 3
O homem pressionou a faca contra o pescoço de Lavínia.

Pietro apontou a arma para a cabeça dele, furioso.

— Solta ela!

O homem gargalhou e apertou a lâmina. Um fio de sangue escorreu pelo pescoço de Lavínia.

— Atira, Pietro! Quero ver! Se eu morrer, ela morre comigo! Você vai sentir o que é perder a família!

Lavínia empalideceu de dor.

O suor frio escorria pelo rosto, mas ela cerrou os dentes e baixou o olhar, decidida a não demonstrar fraqueza.

Pietro endureceu a expressão.

— Solta ela. Diz o que você quer em troca.

O homem abriu um sorriso arrogante.

— Primeiro, vocês largam as armas. Depois, quero você de joelhos, implorando!

Pietro apertou cada vez mais o cabo da arma. Por fim, abaixou o braço.

— Está bem — respondeu, com a voz rouca.

Lavínia ergueu os olhos, incrédula.

Ele jogou a arma no chão, deu alguns passos e começou a se ajoelhar.

Débora avançou.

— Pietro, não faz isso!

Ela disparou contra o homem, mas a bala passou de raspão pelo braço dele e atingiu a parede atrás.

Enfurecido, ele golpeou Lavínia várias vezes com a faca.

O sangue jorrou. A dor fez sua visão escurecer.

Antes de desmaiar, ela ainda viu Pietro correr e se atracar com o homem.

Quando voltou a acordar, estava no hospital.

Uma das facadas atingira o pulmão. Cada respiração provocava uma dor insuportável na ferida.

Débora estava sentada ao lado da cama, observando o sofrimento de Lavínia com uma satisfação cruel.

— Você tem mesmo sorte. Nem assim morreu.

Ela não respondeu.

Débora continuou, debochada:

— Hoje, lá naquela casa caindo aos pedaços, você achou que Pietro amava você? Se enganou. Ele faria a mesma coisa por qualquer refém.

Os cílios de Lavínia tremeram.

Ela sabia que Débora tinha razão.

Se o homem tivesse feito qualquer outra pessoa de refém, Pietro tomaria a mesma decisão para salvar aquela vida.

Lavínia nunca tinha sido especial para ele.

Débora prosseguiu, satisfeita:

— Sabe aquela sopa de frango com legumes que Pietro pede para você fazer desde que comecei na delegacia, há um ano? Pois é, quem gosta dela sou eu. Aquele dinheiro que você juntou para comprar roupas? Ele gastou num vestido para mim. E o que você guardou para comprar doces? Gastou nas balas de leite que eu gosto. Para de insistir nesse casamento. Até a filha que poderia manter vocês juntos já morreu. O que você acha que ainda tem para competir comigo?

O olhar de Lavínia esfriou.

Débora se inclinou até seu ouvido e sussurrou:

— No dia da enchente, não tive cãibra nenhuma. E aquele tiro de ontem... Eu errei de propósito.

Lavínia ficou sem conseguir pensar.

Não tinha sido um acidente.

Débora atrasara o resgate de propósito. Ela tinha provocado a morte de Clara.

A voz voltou a soar baixinho junto ao seu ouvido:

— Mesmo que ela tivesse sobrevivido à enchente, eu daria um jeito de mandar sua filha para o inferno.

Lavínia não conseguiu conter a raiva.

Reuniu as forças que restavam e deu um tapa no rosto de Débora.

— Você é cruel demais para merecer esse uniforme!

O golpe fez Débora virar o rosto. Um fio de sangue apareceu no canto de sua boca.

Com ódio nos olhos, ela pegou a garrafa térmica da mesa de cabeceira, abriu a tampa e se preparou para jogar a água quente em Lavínia.

Então ouviu passos do lado de fora.

Mudou de ideia e despejou a água fervente na própria mão.

Gritou e deixou a garrafa cair.

Pietro abriu a porta e encontrou água quente espalhada pelo chão, a mão de Débora vermelha e uma de suas faces inchada.

— O que aconteceu aqui?

Ele encarou Lavínia como se já soubesse a resposta.

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