O elevador social descia em um silêncio cortado apenas pelo zumbido suave dos cabos de aço. Cada andar que deixávamos para trás parecia me afastar temporariamente da gaiola de Henrique, mas a presença de Laura ao meu lado tornava a fuga uma ilusão cruel.
Olhei de relance para o reflexo no espelho do elevador. Laura ajeitava o cabelo, alheia, com aquela leveza típica de quem nunca precisou se preocupar com as sombras do mundo. Ao lado dela, eu parecia uma sombra de mim mesma: a postura rígida,