A promessa

— Não diga isso, Elena! Você vai sair dessa, você mesma vai cuidar dele... você vai criar o Leonardo — eu disse, a voz embargada, tentando desesperadamente negar a realidade que se impunha.

— Eu não sei se vou sobreviver a isso, minha irmã... sinto que estou partindo.

— Não fale assim, por favor! — eu implorei, as lágrimas inundando minha visão.

— Prometa... prometa que, se algo acontecer comigo, você cuidará de Leonardo como se fosse seu. Que não deixará que o levem para longe.

— Eu prometo, Elena. Eu prometo solenemente. Cuidarei de Leonardo com todo o amor, com todo o carinho e com toda a proteção que eu puder oferecer. Ele nunca estará sozinho.

Não demorou muito. A despeito de todas as minhas esperanças e das intervenções médicas, o quadro complicou-se de forma irreversível e Elena partiu. Simples assim. Cruel assim. Seu legado de amor e a coragem de ter lutado por aquele filho permaneceriam vivos através de Leonardo, que agora, por força de uma promessa de sangue, era meu também.

Afasto essas lembranças com um esforço que dói fisicamente, enxugando as lágrimas que teimam em cair. Olho para baixo e vejo o pequeno ser envolto em seu cobertor azul macio, dormindo com uma serenidade que me inveja. Seus traços delicados são um espelho dos de Elena — o mesmo formato do nariz, a mesma curva suave dos lábios. Meu coração transborda de uma ternura dolorosa ao vê-lo ali, tão vulnerável e, ao mesmo tempo, o tesouro mais precioso que possuo.

Com um cuidado infinito, estendo os braços e o retiro do berço, segurando-o contra o meu peito. Sinto o calor de seu pequeno corpo, o ritmo tranquilo de sua respiração. Ele se aconchega em mim com uma naturalidade que me desarma, como se soubesse que, em meus braços, ele está seguro. É uma mistura agridoce de luto e amor puro que me consome enquanto o embalo, reafirmando em silêncio a promessa de protegê-lo contra tudo e contra todos.

Um suave murmúrio escapa de seus lábios e eu não consigo evitar um sorriso triste. Ele é a pequena luz que brilha em meio aos destroços da nossa família, um símbolo de renovação. Mesmo que Elena não esteja mais aqui para ver seus primeiros passos ou ouvir suas primeiras palavras, o amor dela pulsa em cada batida do coração de Leonardo. E eu farei tudo o que estiver ao meu alcance para que ele cresça sabendo o quanto foi desejado e amado por sua mãe.

Desde que Elena se foi, minha vida tornou-se uma trincheira. A batalha com nossos pais é constante e desgastante. Minha mãe, sempre tão preocupada com o que a sociedade de Surrey pensará, e pressionada por valores tradicionais que ela usa como escudo, insiste que o melhor seria entregar a criança para a adoção. Para ela, Leonardo é um "problema" a ser resolvido, uma mancha a ser apagada para que a vida possa voltar ao seu curso normal e hipócrita.

As discussões à mesa do jantar são como campos minados. A tensão é tão espessa que quase se pode cortá-la com uma faca. Eles argumentam com uma lógica fria: dizem que uma criança precisa de uma "família estruturada", com pai e mãe, e não de uma tia de dezoito anos que ainda nem terminou a faculdade. Eles não conseguem, ou não querem, entender que a promessa que fiz a Elena é sagrada. Que romper esse pacto seria matar minha irmã uma segunda vez. Além disso, o vínculo que criei com Leo é visceral; eu o amo como se ele tivesse saído de mim.

— Você não entende, Sasha — minha mãe disse-me certa noite, as lágrimas de frustração brilhando em seus olhos. — Essa criança é uma desonra pública para o nome dos Ioannis Demétrio. As pessoas comentam, as línguas são cruéis.

— Não é desonra nenhuma, mãe! — eu rebati, a voz firme apesar do tremor interno. — A verdadeira desonra, a única que eu não suportaria, seria abandonar um ser indefeso que é nosso sangue. Prometi à Elena e vou cumprir. Leo fica comigo.

— Sasha, você é apenas uma menina! Tem dezoito anos! Você vai enterrar sua juventude, suas chances de um bom casamento, sua carreira... tudo por causa dessa criança. Quem vai querer se unir a uma mulher que já carrega um filho que nem é seu?

Meu pai, sentado à cabeceira com seu semblante de pedra, raramente intervém. Mas seu silêncio é o que mais dói; é uma aprovação tácita de tudo o que minha mãe diz, uma covardia elegante que me deixa ainda mais isolada. Sinto-me nadando contra uma maré violenta, tentando manter a cabeça de Leonardo acima da água enquanto as pessoas que deveriam me ajudar tentam nos puxar para o fundo.

— Não importa o que digam, mãe. Nada vai me fazer mudar de ideia.

Nestas noites em que o peso do mundo parece concentrar-se sobre meus ombros, quando a solidão de Surrey aperta e as incertezas sobre o futuro me assombram, eu venho até este berço. Olho para este pequeno ser adormecido e encontro uma força que eu nem sabia que existia em mim. Leonardo é minha razão de viver, meu norte, meu elo inquebrável com a memória de Elena. E eu sei, com uma certeza que vem do fundo da alma, que não importa o quão difícil a jornada se torne, eu nunca vou desistir dele. Ele crescerá sabendo que é amado além das palavras, que sua mãe foi uma heroína e que eu estarei aqui, sendo seu escudo e seu porto, custe o que custar.

Assim, enquanto as nuvens de conflito continuam a pairar sobre nossa casa, eu permaneço firme. Minha vida mudou de forma irreversível, meus sonhos de juventude ganharam novos contornos, mas meu amor por Leo e minha promessa de protegê-lo são as únicas coisas imutáveis neste mundo de incertezas. É essa determinação que me guia a cada amanhecer, dando-me a coragem necessária para enfrentar qualquer tempestade que o destino decida nos enviar.

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