POV Matteo
Novembro, 2018.
O problema não era o quarto.
Não era ela estar na minha frente usando aquele vestido que parecia ter sido criado especificamente pra acabar comigo.
O problema era que Tessália confiava em mim.
E eu não fazia ideia do que fazer com isso.
Os dedos dela tremiam levemente enquanto desabotoavam minha camisa.
Devagar.
Como se estivesse criando coragem a cada botão.
E toda vez que ficava nervosa, ela mordia o lábio inferior sem perceber.
Sempre.
Aquilo estava me enlouquecendo.
Meu peito apertou.
Porque ela estava nervosa.
E, mesmo assim, estava ali.
Comigo.
A garota que passou anos sendo ignorada por gente idiota demais pra enxergar ela direito.
Inclusive eu.
Minhas mãos seguraram a cintura dela automaticamente, puxando-a um pouco mais pra perto.
E então ela levantou os olhos pra mim.
Porra.
Ela era linda.
Não de um jeito óbvio como Victoria.
Victoria era o tipo de bonita que gritava por atenção.
Tessa não.
A beleza dela aparecia aos poucos.
Nos olhos claros que pareciam mudar de cor dependendo da luz.
Na boca naturalmente avermelhada, sempre um pouco entreaberta quando ficava nervosa.
No maxilar delicado e perfeitamente desenhado.
No cabelo castanho-escuro caindo bagunçado pelos ombros, como se tivesse sido feito pra eu passar os dedos ali.
Ela parecia perigosamente fácil de amar.
E talvez esse fosse meu maior problema.
Porque, no começo, eu fui um completo imbecil.
— Aposto que consigo fazer a Blake ficar comigo antes da formatura.
Henrique tinha rido na mesma hora.
Victoria também.
Porque garotas como Victoria e caras como eu viviam no mesmo mundo.
E garotas como Tessa não.
Ou pelo menos era o que eu pensava.
Até começar a conversar com ela.
Até perceber que ela era engraçada sem tentar, inteligente pra caralho, gentil, observadora.
Real.
E agora eu estava ali, vendo ela me olhar como se eu fosse alguém bom.
Meu estômago revirou.
A mão dela ainda segurava minha camisa aberta quando perguntei baixo:
— Você tem certeza?
Ela pareceu surpresa pela pergunta.
Como se esperasse confiança absoluta da minha parte.
Mas eu precisava saber.
Precisava ter certeza de que aquilo era escolha dela.
Tessa respirou fundo devagar.
E então assentiu.
— Tenho.
A voz saiu pequena.
Sincera.
Meu coração bateu pesado.
Ela sorriu nervosa logo depois.
— Você parece mais nervoso que eu agora.
Se ela soubesse.
Se ela tivesse a menor ideia do que eu estava escondendo…
Provavelmente sairia correndo daquele quarto.
Mesmo assim, minha mão subiu até o rosto dela outra vez.
Porque eu era egoísta demais pra deixar ela ir.
O polegar deslizou devagar pela boca dela, puxando suavemente o lábio que ela ainda mordia sem perceber.
— Para de fazer isso — murmurei.
Ela franziu a testa.
— Fazer o quê?
Sorri sem humor.
— Me deixar completamente maluco.
As bochechas dela ficaram rosadas imediatamente.
E, quando ela sorriu daquele jeito pequeno outra vez…
Eu soube que estava completamente fodido.
Tessa desviou os olhos por um segundo, tímida, mas as mãos continuaram na minha camisa.
Abrindo botão por botão devagar.
Como se ainda estivesse tentando entender que aquilo era real.
Meu peito apertou de novo.
Porque eu nunca tinha visto ninguém me tocar daquele jeito.
Como se cada detalhe importasse.
Voltei a beijá-la antes que minha consciência resolvesse estragar tudo outra vez.
E, dessa vez, ela correspondeu sem hesitar.
As mãos pequenas agarraram minha camisa aberta enquanto eu a puxava pela cintura, trazendo o corpo dela completamente contra o meu.
O beijo ficou mais lento.
Mais quente.
A respiração dela falhou imediatamente quando minhas mãos deslizaram pelas costas nuas do vestido.
Meu Deus.
A pele dela era macia pra caralho.
Tessa soltou o ar tremendo contra minha boca, e aquilo quase acabou comigo.
Porque ela ainda parecia nervosa.
Mas também parecia confiar em mim.
E essa mistura era perigosamente íntima.
Minha boca desceu devagar pelo maxilar delicado dela, sentindo a pele quente arrepiar sob meus lábios.
Ela inclinou levemente a cabeça pra trás.
E foi aí que eu percebi as sardas.
Pequenas.
Discretas.
Espalhadas pelo ombro dela.
Porra.
Aquilo parecia o tipo de detalhe que ninguém notava.
Mas eu notei.
Meus dedos deslizaram lentamente pelas alças do vestido, empurrando o tecido pelos ombros dela enquanto eu beijava sua pele devagar.
Tessa respirou fundo.
Pesado.
E então sussurrou baixinho:
— Matteo…
A forma como ela disse meu nome fez meu coração bater errado.
Quando minhas mãos alcançaram os braços dela, Tessa segurou meu pulso de leve.
Os olhos claros encontraram os meus outra vez.
Inseguros agora.
Vulneráveis.
— Pode apagar a luz?
Aquilo me atingiu pior do que devia.
Porque ela ainda não conseguia enxergar o que eu via quando olhava pra ela.
Meu peito apertou forte.
— Ei.
Segurei o rosto dela devagar.
— Você é linda.
Ela sorriu sem graça, claramente sem acreditar totalmente.
Então balancei a cabeça de leve.
— Não vou apagar tudo.
Caminhei até o interruptor e deixei apenas a iluminação mais baixa acesa.
Uma luz quente e suave.
O suficiente pra deixar o quarto inteiro dourado.
Bonito.
Quando me virei de volta pra ela, Tessa ainda estava parada perto da cama, nervosa, mordendo o lábio outra vez.
E, honestamente?
Ela parecia a coisa mais linda que eu já tinha visto na vida.
Voltei devagar até ela.
Minhas mãos encontraram sua cintura enquanto nossas testas se encostavam por um segundo.
— Melhor? — perguntei baixo.
Ela assentiu.
Então me beijou primeiro dessa vez.
Timidamente no começo.
Mas como se estivesse criando coragem aos poucos.
E, quando minhas mãos deslizaram outra vez pela pele dela, os dedos apertando sua cintura de leve enquanto minha boca descia lentamente pelo pescoço dela…
Tessa perdeu a respiração.
O som pequeno que escapou dos lábios dela quase destruiu o pouco de autocontrole que ainda restava em mim.