Mundo de ficçãoIniciar sessãoClara Vasconcelos
O portão se abriu com o mesmo rangido de sempre. Aquele som antigo, familiar, quase doméstico e ainda assim, naquele dia, pareceu um aviso.
O jardim da casa do meu pai estava impecável, como se o mundo inteiro obedecesse a uma ordem que não existia mais dentro de mim. As roseiras podadas, o caminho de pedras limpo, a fonte pequena murmurando água com uma tranquilidade ofensiva.
Eu subi os dois degraus da varanda e senti o coração bater forte, não de medo, mas de determinação. Porque eu não tinha vindo para pedir compreensão, eu tinha vindo para entregar a verdade.
Toquei a campainha e levou exatamente três segundos para a porta ser aberta.







