POV: RAFAEL
A avenida dos Bandeirantes estava cinza de chuva naquela manhã. A água batia no para-brisa do Corolla num ritmo danado, as palhetas lutando pra limpar o vidro antes da neblina engolir a frente do capô. Eu segurava o volante com as duas mãos, sentindo a tração das rodas escorregar de leve nas poças perto do viaduto.
Jade continuava na mesma posição. Não olhava pras coordenadas do carro do Andrade que o Igor atualizava no rádio. Os olhos dela estavam grudados na folha de papel úmida