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Oficialmente casados

DIAS ATUAIS

Tudo ocorreu de maneira rápida, ritmada, mecânica. Brent me aceitou como sua esposa e eu o aceitei como meu marido. Colocamos as alianças um no outro e naquele breve contato entre as nossas mãos, pude sentir a sua pele gelada. A frieza era a mesma em seus olhos.

Ele parecia agir automaticamente, com movimentos calculados, mínimos. Um sorriso lateral surgiu em seus lábios quando a cerimônia finalmente foi encerrada. Brent Turner me encarou com seus olhos verdes e então qualquer vestígio de sorriso desapareceu.

— Faremos uma breve comemoração na casa dos meus pais — dirigiu-se a mim, ignorando as centenas de pessoas que nos observavam ainda de pé no altar.

— Um beijo! — Nathan Turner, o seu irmão, se aproximou de nós e sussurrou. — Como o noivo não beija a noiva? Beijo na testa não vale!

— Não se mete! — Brent o repreendeu em um sussurro também.

— Um beijo para a foto — um dos fotógrafos se colocou entre nós para pedir de modo discreto. Eu suspirei com pesar. Que situação constrangedora... — Rapidinho.

Diminuímos a nossa distância ao dar um passo à frente e, extremamente sem jeito, eu me inclinei na sua direção. No entanto, disposto a encerrar aquele momento, Brent enlaçou a minha cintura e me puxou para si. Assustada, mal tive tempo de piscar os olhos antes de ter os seus lábios macios contra os meus.

Fomos ovacionados pelos convidados. Todos esperavam aquilo.

Ao se afastar de mim abruptamente, Brent estendeu a mão e eu a segurei para que saíssemos juntos dali.

— Parabéns! Parabéns! — As pessoas diziam ao nosso redor durante a nossa caminhada até o carro que nos esperava.

Eu estava atordoada com tantos acontecimentos em pouco tempo.

— Ufa! Finalmente! — Brent resmungou assim que a porta do veículo foi fechada. Afrouxou a sua gravata e se serviu com um pouco de uísque. — Quer?

— Não bebo uísque.

Ele não falou mais nada ao longo de todo o percurso até a mansão de seus pais. Ficamos em silêncio absoluto dentro do carro. Brent sequer me olhava. Aproveitei a situação para observá-lo um pouco. Os seus cabelos castanhos são tão brilhosos... Devem ser cheirosos também. Os seus olhos têm um tom de verde atraente e os seus lábios levemente carnudos formaram um sorriso bonito quando ele riu para os amigos.

O que estou pensando? Brent Turner é um homem grosseiro! Um mal-educado!

— Viva os noivos! — As nossas famílias falaram juntas quando ergueram e brindaram em nossa homenagem.

Eu já estava cansada de tanto socializar, o meu corpo inteiro doía.

— Senhor e Senhora Turner! — Sarah, a mãe de Brent, nos abraçou ao mesmo tempo. Estava emotiva. — Bem-vinda à família, minha linda! — Beijou a minha testa. — Você e Brent são sortudos por terem um ao outro.

— Mãe, você não acha que já bebeu muito? — Brent se livrou do seu toque e retirou a taça de champagne da sua mão. — Está na hora de encerrar essa festa!

— Como encerrar? — Nathan abriu os braços. — É o seu casamento, cara!

— E o aniversário da Irina também! — Margot acrescentou.

— Eu concordo com Brent — falei de forma contida, não queria chatear os nossos familiares. — Já está tarde e nós estamos cansados.

— Olhem só para eles! Tão bonitinhos concordando um com o outro! — Sarah nos envolveu em um abraço apertado outra vez.

— Já chega por hoje, Sarah! — John, o seu marido, nos socorreu. — Deixe os dois irem embora.

— Não se esqueçam de que amanhã temos um encontro marcado — o meu pai disse. — Às nove.

— Encontro? — Franzi o cenho.

— Para assinar o acordo final entre as duas empresas — John Turner respondeu. — Você precisa estar presente, tudo bem?

— Certo.

Depois de muitas tentativas de ir embora, conseguimos entrar no carro e respirar em paz. Eu já havia trocado o vestido do casamento por outro mais confortável, porém queria mais do que qualquer outra coisa me livrar dessas roupas de festa.

Brent continuou em silêncio e imóvel, distante. Quando o veículo parou, o motorista desceu e abriu a porta para mim. Desembarquei e Turner fez o mesmo do outro lado. Estávamos diante da entrada da sua casa.

— Quer se matar no primeiro dia de casada? — Ao ouvir a sua voz, percebi que ele já estava na porta. — Se preferir ficar aí no frio... — Deu de ombros. — Tudo bem.

— Ah... Não, não.

Caminhei até ele e o segui para dentro da residência. Olhei tudo ao redor e fiquei intrigada com a decoração excêntrica. Figuras abstratas, esculturas que mudam de perspectiva à medida que nos movemos, móveis escuros e paredes altíssimas que faziam até a minha respiração ecoar por ali.

— Covil — sussurrei.

— Helga já deve estar vindo para te recepcionar — Brent parou no primeiro degrau da escada e me encarou. — Todas as dúvidas que tiver e o que quiser pedir, dirija-se a ela. Não me incomode com nada.

— Mas...

— Você não pensou que eu iria te carregar no colo para entrar aqui, pensou? — Ergueu uma sobrancelha.

Nesse instante, eu tive que me esforçar muito para lembrar de todas as lições sobre educação que os meus pais me deram.

— Você é grosseiro assim sempre ou somente às vezes?

— Como é? — Brent estreitou os olhos.

— Já é a segunda vez que me trata desse jeito! Quem você pensa que é, Turner?

— Ah, sabia que iria falar disso! — Riu soprado e negou com a cabeça.

Ele começou a subir a escada, ignorando-me.

— Pois saiba também que para mim esse casamento é de fachada! Nós estamos apenas fazendo o que a nossa família combinou sem o nosso consentimento! — Fui falando mais alto à medida que ele se afastava. — Você não é isso tudo que pensa que é, ouviu bem?

— Ouvi, sim — Turner debochou.

— Troglodita!

— Boa noite, senhorita Collins!

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