IRINA SOKOLOV
Vidro nunca dorme.
Ele observa mesmo quando ninguém está do outro lado.
As paredes são todas transparentes — vidro reforçado, espesso, frio — formando um cubo perfeito, sem cantos onde eu possa me esconder. Aprendi cedo que não adianta virar o rosto. As câmaras veem tudo. Sempre.
A cama hospitalar ocupa o centro do quarto como um altar. Lençóis brancos demais. Limpos demais. O tipo de limpeza que não tem nada de humano. Meus pulsos ainda carregam marcas antigas das contenções,