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O CEO e a Noviça Fugitiva
O CEO e a Noviça Fugitiva
Por: Monalisa
Capítulo 1 — Eu Sei Quem Você É

Quando a noviça Clara foi chamada para uma reunião, a tensão veio antes mesmo da explicação.

O recado foi simples:

Alessandro Moretti queria falar com ela.

Isso bastou.

Enquanto caminhava pelos corredores silenciosos do Convento de Montelari, Clara mantinha as mãos entrelaçadas à frente do corpo, como sempre faziam. A postura serena, treinada, quase automática.

Mas por dentro…

nada estava em ordem.

Os passos ecoavam suavemente no piso de pedra. A luz da manhã atravessava os vitrais e se espalhava pelo chão em tons de azul e dourado.

Normalmente, aquele lugar trazia paz.

Hoje não.

A lembrança veio sem aviso.

A última vez que ele esteve ali.

A voz dele cortando o corredor:

— Pare de usar minha filha para se aproximar de mim.

Fria. Direta. Sem margem para defesa.

Clara lembrava do olhar. Da forma como ele a observava como se já tivesse decidido quem ela era.

Ela engoliu em seco.

Não queria encontrá-lo novamente.

Mas não tinha escolha.

Parou diante da porta da sala de reuniões. Respirou fundo, tentando controlar o ritmo do coração.

Bateu duas vezes.

— Pode entrar.

A voz veio de dentro. Grave. Controlada.

Ela abriu a porta.

E o viu.

Alessandro Moretti estava sentado atrás de uma mesa de madeira escura, parcialmente envolto pela luz que entrava da janela atrás dele. Ainda assim, era impossível não notar sua presença.

Mesmo sentado, ele dominava o ambiente.

O terno escuro perfeitamente ajustado aos ombros largos, a gravata alinhada com precisão, cada detalhe no lugar certo. Nada nele parecia casual.

O cabelo escuro penteado para trás, revelando um rosto de traços firmes.

Mas eram os olhos que prendiam.

Azuis, quase cinzas.

Profundos.

Atentos.

Calculistas.

Eles se ergueram lentamente quando ela entrou.

E pararam nela.

Por um instante, ele não disse nada.

Apenas observou.

Como se estivesse confirmando algo.

Clara sentiu a tensão subir pela nuca.

Juntou as mãos diante do corpo.

— Bom dia.

A voz saiu educada, um pouco mais baixa do que o habitual.

Ele não respondeu.

O canto da boca se moveu de forma quase imperceptível, como se contivesse uma reação.

Então indicou a cadeira à frente da mesa.

— Sente-se.

Não era um convite.

Clara caminhou até a cadeira e se sentou com cuidado.

O peso do olhar dele permaneceu.

Constante.

Então Alessandro pegou um documento sobre a mesa.

Os movimentos eram lentos. Precisos.

Ele deslizou o papel na direção dela.

Parou exatamente diante de suas mãos.

— Leia.

Clara olhou para o documento.

Depois para ele.

Uma linha leve de impaciência surgiu entre suas sobrancelhas.

— O senhor poderia adiantar o assunto?

O tom era respeitoso, mas firme.

— Eu preciso voltar. Tenho aula com as crianças.

Ele inclinou levemente a cabeça.

Como se analisasse não só as palavras, mas o que vinha por trás delas.

Então um sorriso mínimo apareceu.

Frio.

Quase irônico.

— O assunto é do seu interesse.

Clara franziu o cenho.

Um arrepio percorreu sua espinha.

Então ele disse.

Devagar.

Sem pressa.

— Giulia Castarelli.

O mundo pareceu parar.

Por um segundo, Clara não respirou.

Os olhos se arregalaram antes que conseguisse controlar.

O coração disparou.

Ninguém ali sabia aquele nome.

Ninguém.

Ela piscou.

Uma vez.

Duas.

Tentando manter o controle.

Lentamente, baixou o olhar para o contrato.

As mãos permaneceram imóveis por um instante antes de tocar o papel.

Começou a ler.

Linha por linha.

E, conforme avançava, algo mudava.

Primeiro confusão.

Depois incredulidade.

A testa se franziu.

Os olhos voltaram ao início.

Como se tivesse lido errado.

Mas não.

Quando levantou o olhar novamente, já não era a mesma expressão.

— Isso…

A frase não terminou.

Ela voltou ao papel.

Depois a ele.

O olhar agora carregado.

O que era aquilo?

Alessandro não se moveu.

Apenas observava.

Como se esperasse exatamente aquilo.

Clara fechou o contrato com cuidado.

O som do papel ecoou mais alto do que deveria.

Ergueu os olhos.

Sustentou o olhar dele por um segundo.

Então empurrou a cadeira para trás.

Levantou-se.

A postura ainda elegante.

Mas rígida.

— Acho que houve um engano, senhor Moretti.

Ele não se moveu.

Apenas ergueu levemente uma sobrancelha.

— Eu não sei quem é essa pessoa que o senhor mencionou.

Fez uma pequena pausa.

— E não tenho interesse algum nesse tipo de acordo.

O olhar dela passou brevemente pelo contrato.

Desaprovação clara.

Quando voltou a encará-lo, estava mais firme.

— Desejo boa sorte para o senhor encontrar outra pessoa disposta a aceitar algo assim.

O tom era cortês.

Mas a irritação estava ali.

Controlada.

Ela fez um leve aceno de cabeça.

— Com licença.

Virou-se.

Deu um passo.

Dois.

A mão já próxima da maçaneta—

— Giulia Castarelli.

A voz dele cortou o ar.

Ela parou.

O corpo inteiro ficou imóvel.

A mão suspensa no ar.

Atrás dela, Alessandro continuava sentado.

Mas o olhar havia mudado.

Mais preciso.

Mais perigoso.

— Filha de Ottor Castarelli.

Ele virou uma página, com calma.

— Nascida em Valmora.

A voz era tranquila demais.

— Fugiu de casa há três anos.

O ar ficou pesado.

— E desde então vive escondida neste convento usando o nome de Clara Alves.

O silêncio caiu.

Denso.

Irrespirável.

Giulia não se virou.

Mas os dedos apertaram lentamente a maçaneta.

Atrás dela, Alessandro se recostou na cadeira.

Observando.

— Agora…

Uma pequena pausa.

— talvez possamos continuar a conversa.

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