Mundo de ficçãoIniciar sessãoOs dias seguintes passaram mais rápido do que Hadassa imaginava. Desde que aceitou participar da conferência internacional em Dubai, sua rotina tornou-se ainda mais intensa. Além das atividades do estágio, precisava participar de reuniões preparatórias, estudar sobre o evento e aperfeiçoar o inglês.
Todas as noites, ao chegar em casa, abria o notebook e assistia a vídeos sobre a cultura dos Emirados Árabes Unidos. Descobriu que Dubai era muito mais do que arranha-céus impressionantes e hotéis luxuosos. Havia tradições, costumes e valores profundamente respeitados por seu povo. Ela fazia anotações em um caderno. "Cumprimentar com respeito." "Vestir-se de forma elegante e discreta." "Ser pontual." "Conhecer a cultura é uma forma de demonstrar consideração." Quanto mais aprendia, mais crescia sua admiração pelo país que em breve conheceria. Na empresa, seus colegas percebiam sua dedicação. — Você está estudando até no horário do almoço? — perguntou Ana, uma analista financeira. Hadassa sorriu. — Quero representar bem a empresa. É uma oportunidade que talvez aconteça apenas uma vez na vida. Ana respondeu com sinceridade: — Com essa determinação, tenho certeza de que não será a última. As palavras encheram Hadassa de esperança. Na sexta-feira, Ricardo entregou à equipe o cronograma definitivo da viagem. O voo partiria dali a dez dias. Eles permaneceriam uma semana em Dubai participando da conferência e de reuniões com empresas internacionais. Ao ler o documento, Hadassa sentiu um frio na barriga. Era real. Naquela noite, contou a novidade aos pais durante o jantar. Seu pai permaneceu alguns segundos em silêncio antes de sorrir com orgulho. — Você sempre sonhou alto, filha. Nunca deixe que alguém diga que seus sonhos são grandes demais. Sua mãe segurou sua mão. — Só prometa que continuará sendo a mesma Hadassa. Humilde, gentil e com Deus no coração. Ela assentiu emocionada. — Prometo. Enquanto isso... No outro lado do mundo, Tariq iniciava mais um dia antes mesmo do amanhecer. Sua rotina começava às cinco da manhã com uma corrida pelos jardins de sua residência. Em seguida, tomava café da manhã com seus pais, um hábito que fazia questão de preservar apesar da agenda lotada. Naquela manhã, o silêncio foi interrompido por sua mãe, Amina. — Tariq, você trabalha mais do que vive. Ele sorriu discretamente. — O grupo depende de mim. — E quem cuida do seu coração? A pergunta permaneceu no ar. Seu pai, Sheikh Omar, fechou o jornal. — Sua mãe está certa. O império que construímos continuará existindo. Mas uma família não se constrói apenas com negócios. Tariq mudou delicadamente de assunto. Era uma conversa recorrente. A imprensa frequentemente especulava sobre um possível casamento entre ele e alguma herdeira de famílias influentes da região, mas Tariq jamais demonstrava interesse. Para ele, casamento era uma decisão baseada em confiança, respeito e amor. E ainda não havia encontrado alguém que despertasse esses sentimentos. Mais tarde, durante uma reunião na Al Mansouri Group, Khalid apresentou a lista das empresas participantes da conferência internacional. — Teremos representantes da Europa, Ásia, América do Sul e América do Norte. Tariq observava os documentos sem imaginar que, entre centenas de nomes, estava registrada uma pequena empresa brasileira. Um nome, em especial, ainda não chamava sua atenção. Hadassa Oliveira. A jovem que atravessaria um oceano sem imaginar que seu destino estava prestes a cruzar o dele. Na mesma noite, Hadassa fechou sua mala provisória apenas para conferir se tudo caberia. Riu de si mesma. Ainda faltavam muitos dias para a viagem. Olhou pela janela do quarto. O céu estava estrelado. Ela fez uma breve oração. — Senhor, obrigada por abrir portas que eu nunca imaginei atravessar. Se esta viagem faz parte dos Teus planos, prepara também o meu coração para tudo o que encontrarei pelo caminho. Longe dali, Tariq contemplava o horizonte iluminado de Dubai da varanda de sua cobertura. Sem saber, duas orações diferentes subiam aos céus naquela mesma noite. Uma pedia coragem para começar. A outra, mesmo sem palavras, revelava o desejo silencioso de encontrar algo que desse um novo sentido à própria vida. O destino aproximava os dois lentamente. E, a cada dia que passava, a distância entre eles diminuía um pouco mais.






