O Bilionário quer uma mãe para o seu filho
O Bilionário quer uma mãe para o seu filho
Por: Ana Paula de Souza
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# Capítulo 1: O Sussurro de Park Avenue

**Ponto de Vista: Narrador**

Nova York, em sua essência, é uma cidade de memórias curtas e apetites insaciáveis. As estações mudam com uma velocidade implacável, e com elas, as manchetes, os rostos da moda e os nomes na boca do povo. Na selva de arranha-céus que arranham um céu muitas vezes indiferente, a fama é um vapor fugaz, e o esquecimento, um predador paciente. Ninguém sabia disso melhor do que os cronistas sociais e os abutres da alta sociedade que, há não muito tempo, se banqueteavam com a vida de Neil Bodvan.

Ele fora o sol em torno do qual a galáxia social da cidade parecia orbitar. Um bilionário de herança antiga e faro moderno para os negócios, Neil não era apenas rico; ele era magnético. Suas festas na mansão de Park Avenue eram lendárias, eventos onde o champanhe fluía como um rio dourado e os segredos eram a moeda mais valiosa. A imprensa o amava, as mulheres o desejavam, e os homens o invejavam com uma mistura de admiração e ressentimento. Ele era a personificação do sonho nova-iorquino, um rei Midas moderno cujo toque transformava tudo em ouro e glamour.

E então, o silêncio.

Não foi um desaparecimento gradual, uma lenta retirada dos holofotes. Foi um eclipse súbito e total. De um dia para o outro, as portas da mansão Bodvan se fecharam. Os convites pararam de chegar. As colunas de fofocas, antes repletas de suas conquistas e excessos, encontraram um vácuo. Neil Bodvan, o epicentro da vida social de Manhattan, simplesmente... evaporou. E com ele, sua esposa, a etérea e bela Annelise, cujo sorriso enigmático era a única coisa que rivalizava com a fortuna do marido em termos de valor e mistério.

Hoje, a mansão Bodvan ainda se ergue em seu endereço privilegiado, uma fortaleza de calcário e janelas escuras que parecem absorver a luz da rua em vez de refleti-la. Para os turistas que passam em ônibus de dois andares, é apenas mais um exemplo da opulência arquitetônica da cidade. Mas para os poucos que se lembram, para a velha guarda que dançou em seus salões de baile, a casa é um mausoléu. Um monumento ao que foi e ao que ninguém sabe o que se tornou.

As fofocas, claro, nunca morreram por completo. Elas apenas se transformaram em sussurros, em teorias trocadas em jantares privados e nos cantos escuros dos clubes mais exclusivos. Alguns diziam que Annelise o havia abandonado, fugindo com um artista europeu e levando consigo uma parte considerável da fortuna. Outros, mais sombrios, murmuravam sobre um colapso, uma doença mental que a teria levado a uma clínica reclusa na Suíça. Havia até mesmo quem sugerisse algo mais sinistro, um desaparecimento forçado, um segredo tão profundo que precisou ser enterrado sob camadas de silêncio e dinheiro.

Mas ninguém sabia. A verdade, se é que existia uma, estava trancada atrás daquelas portas de carvalho maciço, guardada por uma equipe de funcionários tão leais quanto silenciosos. Eles entravam e saíam por uma entrada de serviço discreta, seus rostos impassíveis, seus movimentos coreografados para atrair o mínimo de atenção. Eram fantasmas a serviço de um rei fantasma, mantendo a ordem em um castelo onde a vida parecia ter sido suspensa.

Por dentro, a poeira não tinha permissão para assentar. Os cristais dos lustres eram limpos semanalmente, os tapetes persas aspirados diariamente, e a vasta coleção de arte moderna era mantida sob um controle climático perfeito. Tudo era impecável, preservado, como um museu particular esperando por um curador que nunca aparecia. A casa respirava, mas de forma superficial, mecânica. Faltava-lhe a alma, o riso, o tilintar de taças, o caos vibrante que um dia a preenchera.

Às vezes, uma figura podia ser vista em uma das janelas do último andar. Uma silhueta alta, imóvel, observando a cidade pulsar abaixo. Seria ele? Neil Bodvan? O homem que tinha o mundo a seus pés e escolheu, ou foi forçado, a chutá-lo para longe? A figura nunca permanecia por muito tempo. Um vislumbre, um contorno contra a luz fraca do entardecer, e então se retirava para as sombras, deixando a janela como um olho vazio e sem vida.

O mistério dos Bodvan tornou-se uma lenda urbana para a elite de Nova York. Um conto de advertência sobre a fragilidade da felicidade, mesmo quando construída sobre uma montanha de dinheiro. A sociedade, com sua memória curta, seguiu em frente. Novos bilionários surgiram, novas festas se tornaram o assunto da cidade. Mas a casa permaneceu. Um lembrete silencioso e imponente de que, por trás das fachadas mais brilhantes, podem se esconder os segredos mais escuros. O que realmente aconteceu com Annelise? E quem, ou o quê, era o homem que agora assombrava os corredores de sua própria vida, um prisioneiro em sua fortaleza dourada? A cidade não sabia, mas a história estava longe de terminar. Ela apenas aguardava a chegada de uma nova personagem, alguém de um mundo completamente diferente, para virar a página.

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