O carro cortava as ruas de São Paulo à meia-noite, o trânsito leve de sábado permitindo uma corrida rápida. Elisa, encostada no banco traseiro, o rosto corado e os olhos vidrados, mudou de ideia no último segundo.
— Motorista... muda o endereço — murmurou ela, voz pastosa. — Vai pra Moema. Rua Inhambu... Torre única.
O apartamento de Gael.
Ela não pensou muito. O quase-beijo com Rafael a deixara confusa, culpada, mas acima de tudo com uma saudade avassaladora. O álcool amplificava tudo: a vontade de vê-lo, de tocar nele, de acabar com aquela distância idiota.
Chegou ao prédio às 0h47. O porteiro reconheceu-a na hora — afinal, ela fora presença constante ali por meses — e liberou sem ligar para cima. Elisa subiu de elevador, apoiando-se na parede espelhada, rindo sozinha do reflexo desgrenhado.
Bateu na porta com força demais. Gael abriu quase imediatamente, de calça de moletom e camiseta velha, cabelo bagunçado como se tivesse tentado dormir cedo. Os olhos dele se arregalaram ao vê-la