O barulho dos tiros não parecia real. Parecia uma memória ruim. Algo que eu já tinha vivido antes — ou que tinha jurado que nunca viveria de novo. Os estampidos ecoavam pelas paredes de madeira do sítio, ricocheteavam no teto, se espalhavam pela noite escura lá fora. Gritos. Homens correndo. Vidros se estilhaçando. O cheiro de pólvora invadiu a sala como um fantasma.
Eu estava imóvel. Não conseguia me mexer. Não conseguia pensar. Só conseguia ouvir. E sentir.
Cada tiro era um impacto no meu pei