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O Bilionário Obcecado e a Babá Virgem do Clube Proibido
O Bilionário Obcecado e a Babá Virgem do Clube Proibido
Por: Nanda Érica
CAP. 1 Apostando o Último Suspiro de Esperança

Universo BDSM: Onde o sexo e as cenas hots são intensas.

⚠️ Lista de Gatilhos e Temas Sensíveis

Violência Doméstica e Abuso: A obra faz menções a traumas do passado, incluindo abusos físicos e cicatrizes que impactam o desenvolvimento psicológico dos personagens.

BDSM e Práticas de Fetiche: Contém representações detalhadas de dominação e submissão (D&S), bondage (restrição de movimentos), impacto e o uso de substâncias como ceras (wax play).

Dinâmicas de Poder Desiguais: A narrativa explora relações de poder intensas, como a hierarquia entre patrão e empregada e o controle exercido dentro de um clube privado (Ambrosia Club).

Linguagem Explícita e Conteúdo Sexual: Inclui cenas de sexo detalhadas e o uso de termos de baixo calão, sendo voltada estritamente para o público adulto.

Uso de Armas e Violência Física: Há cenas que descrevem confrontos físicos e o uso de armas de fogo.

Traumas Infantis: O enredo aborda o impacto de traumas passados na vida de adultos e o desenvolvimento psicológico de uma família sob pressão.

A história é um romance de um homem apaixonado e obcecado ao extremo. Apesar de todos os gatilhos, não há violência por parte do protagonista contra a mocinha. Para quem gosta de algo intenso e muito hot, aqui é o seu lugar.

(Manterei avisos específicos no início de capítulos que contenham cenas particularmente sensíveis. Se em algum momento o conteúdo for desconfortável, priorize o seu bem-estar.)

Novidades sobre a Obra:

Este livro ganhará uma versão física em breve! A história continua com capítulos extras e novos arcos de personagens secundários, como Isadora e Mathew, que serão apresentados no decorrer da trama.

Espero que aproveitem a leitura e mergulhem na complexa jornada de Clara e Adrian. Não esqueçam de comentar e avaliar a obra!

Com carinho, Nanda Erica.


POV: CLARA MENEZES

O gosto amargo subiu pela minha garganta, queimando como ácido. Soquei o balcão de mármore branco com tanta força que a palma da minha mão latejou instantaneamente.

— Mas que merda! — O grito saiu rasgado, atraindo olhares assustados na pequena sala de espera da secretaria. — Como assim "falta um documento"? Eu trouxe tudo! Eu revisei essa pasta mil vezes durante a viagem!

A secretária, uma mulher de meia-idade com óculos na ponta do nariz e um crachá que dizia "Bete", recuou um pouco, assustada com a minha fúria.

— Senhorita Menezes, eu entendo, mas... a certidão de óbito da sua mãe não está autenticada. Sem a autenticação do cartório original, o sistema da bolsa integral não aceita. É a burocracia, não sou eu.

Senti meu estômago revirar. Não era enjoo de fome, embora eu não comesse nada decente há dois dias. Era ódio. Puro e simples.

— A senhora tem noção de onde eu vim? — Minha voz tremia, oscilando entre o choro e o grito. — Eu vim do Pará. São três dias dentro de um ônibus fedendo a suor e mofo para chegar em Porto Alegre. Eu gastei cada centavo que juntei limpando chão para pagar essa passagem. Eu não tenho dinheiro para voltar e autenticar um papel!

Apoiei a testa no balcão, sentindo o mundo girar. A imagem do meu pai veio à mente. O sorriso torto, o cheiro de cachaça e a mão pesada. "Vai lá, Clara. Vai quebrar a cara e voltar com o rabo entre as pernas para cuidar do velho aqui."

Eu preferia morrer de fome na rua a voltar para aquela casa.

— Eu não posso voltar... — sussurrei com o gosto amargo do fracasso ainda na boca. — Eu não tenho para onde ir. Minha única amiga mora aqui. — Meus olhos arderam e eu os esfreguei com força por causa do incômodo. — Merda!

Bete suspirou. O barulho das teclas do computador parou. Quando levantei os olhos, vi que a expressão dela tinha mudado de medo para pena. Eu odiava pena, mas naquele momento era tudo o que eu tinha.

— Olha... — Ela baixou o tom de voz, como se fosse contar um segredo. — O prazo para a bolsa de 100% encerrou no sistema agora, com essa recusa. Mas ainda temos três vagas para a bolsa parcial de 50%.

Ri, um som seco e sem humor.

— Moça, 50% de uma faculdade particular em Porto Alegre é mais dinheiro do que eu já vi na vida. A mensalidade de 1.500 reais é impossível para mim. Eu acabei de chegar, não tenho emprego, como vou pagar metade disso?

Bete olhou para os lados, certificando-se de que o supervisor não estava perto.

— Olha o que posso fazer: vou lançar a data de vencimento para daqui a dois meses e diluir o valor dessas duas mensalidades nas seguintes. Talvez você consiga um emprego até lá. É o máximo que posso fazer por você.

Não sabia se agradecia, mas ao olhar para ela, Bete brilhou como um anjo. Obrigada, Deus. Mas ainda restava uma pergunta: que porra eu ia fazer? Minhas pernas tremiam e o meu coração batia descompassado contra as costelas. Levei as mãos à cabeça enquanto pensava.

— Eu não posso voltar para casa. Agradeço demais por isso. Eu só preciso de um emprego — olhei para ela, tentando transparecer o desespero. — Por acaso a senhora não sabe de nenhum lugar que esteja contratando? Eu limpo banheiro, sirvo mesa, qualquer coisa.

Ela levou a mão ao queixo, buscando na memória.

— Bom, minha prima Adelaide é governanta em uma casa no bairro Moinhos de Vento. Família rica, daquelas de revista. — Ela anotou um endereço e um nome num pedaço de papel. — O patrão é um homem difícil, um tal de Cavallieri. Eles estão desesperados por uma babá. A última pediu demissão há dois dias, aos prantos. O salário é bom, deve ser o bastante para cobrir a faculdade.

Peguei o papel como se fosse um bilhete premiado, mas a realidade me atingiu.

— Babá? — Meu estômago gelou. — Cuidar de criança?

Eu não sabia nada sobre crianças. Minha própria infância tinha sido um borrão de medo, fugas, violência e portas trancadas. Eu não sabia brincar. Não sabia ser doce. Só sabia sobreviver.

— Eu não levo jeito com criança, Bete. Eu não sou... maternal.

— Você quer a vaga na faculdade ou não? — Ela foi direta. — A prova para a bolsa de 50% começa em quarenta minutos. Se você passar, garante a vaga. O emprego... bem, você se vira. Se esse não der certo, procura outro. É pegar ou largar. O ônibus para o Pará sai da rodoviária às oito da noite.

Olhei para o papel com o endereço da mansão Cavallieri. Depois para a porta da sala de provas. E, por último, para a minha mala surrada no canto do corredor.

— Me dá a caneta — falei, engolindo o medo. — Eu vou fazer essa prova.

Terminei a prova e, graças a Clarice Lispector, consegui a pontuação necessária. As aulas começariam na próxima semana. A mensalidade seria de 2.000 reais sem a bolsa, então com o desconto e o prazo de dois meses, eu tinha um tempo para me estabilizar.

Saí do prédio da faculdade arrastando minha mala de rodinhas, que fazia um barulho irritante no calçamento molhado. Eu estava exausta e me sentia suja. O vestido estava amarrotado e meus pés moídos dentro da bota. Três dias de estrada tinham deixado meu cabelo oleoso. Eu devia estar fedendo a derrota.

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