POV Emília
Eu entro no banheiro do meu quarto e tranco a porta. A água quente cai como castigo e alívio ao mesmo tempo. Eu fico parada debaixo do jato, deixando queimar a pele, os ombros, o peito. O vapor enche o espaço, embaça o espelho, embaça tudo. Eu esfrego o corpo com sabonete de lavanda, o mesmo que uso nas crianças, tentando apagar o cheiro de medo, de suor frio, de mãos que não tocaram mas quase tocaram.
A imagem do homem de capa preta ainda pisca atrás das pálpebras fechadas. A faca b