CAPÍTULO 6
Helena saiu cambaleando do salão. Seu rosto ardia, e o sangue no canto da boca já tinha secado.

Ela não chamou o motorista. Foi sozinha de carro até o hospital.

Enquanto o médico cuidava dos ferimentos, Helena encarou o próprio reflexo no espelho.

Metade do rosto estava vermelha e inchada, o canto da boca tinha se aberto e seus olhos estavam cheios de veias vermelhas.

Que estado lamentável.

Ela puxou o canto dos lábios, mas o movimento atingiu a ferida. Helena puxou o ar com a dor.

Depois de terminar o atendimento, ela entrou no carro para voltar, mas duas pessoas bloquearam seu caminho no estacionamento.

Eram os pais de Bianca.

Os dois ficaram um de cada lado da porta do carro e imploraram:

— Sra. Helena, por favor, pare de ocupar o lugar de esposa de Leonardo. Tenha um pouco de pena de nós e deixe esse lugar para Bianca...

Helena olhou para os dois com frieza.

— Saiam da frente.

— Bianca ama de verdade o Sr. Leonardo. Deixe os dois ficarem juntos...

— Eu disse para saírem da frente.

Helena não queria continuar discutindo. Helena afastou os dois, abriu a porta do carro e entrou.

Mas, no instante em que pisou no acelerador, o pai de Bianca correu de repente para a frente do veículo.

Um impacto surdo soou.

Helena nem teve tempo de entender o que tinha acontecido quando viu o homem caído no chão, segurando a perna e gemendo de dor.

A mãe de Bianca gritou e correu até ele, chorando.

— Amor?!

Helena ficou paralisada, com as mãos apertando o volante.

Ele tinha se jogado contra o carro.

Tinha feito aquilo de propósito.

Mas Helena não teve tempo de pensar. Precisou sair imediatamente e levar o homem para a emergência.

No corredor do hospital, Bianca chegou às pressas. Assim que viu Helena, não disse uma única palavra antes de levantar a mão e dar um tapa nela.

O rosto de Helena virou para o lado, e um zumbido encheu seus ouvidos.

— Helena! — Bianca chorava de um jeito lamentável. — Você pode fazer o que quiser comigo, mas por que precisou maltratar meus pais desse jeito?!

A ferida recém-enfaixada no rosto de Helena se abriu novamente, e o sangue começou a escorrer. Mesmo assim, ela não sentia dor.

— Seu pai correu na frente do meu carro. — Respondeu com frieza.

— Se vai mentir, pelo menos invente algo convincente! — A voz severa de Leonardo veio de trás. — Por que o pai de Bianca se jogaria contra o seu carro?

— Helena, quando você se tornou tão cruel?

Helena olhou para ele. Seu coração já doía como se tivesse sido dilacerado.

Agora, Leonardo nem sequer investigava antes de decidir que ela tinha atropelado o homem de propósito.

Ele parecia ter esquecido completamente o quanto a amara no passado.

Um médico saiu às pressas.

— O paciente perdeu muito sangue e precisa de uma transfusão urgente. Ele é do tipo A. Alguém pode doar?

Bianca balançou a cabeça entre soluços.

— Sou parente direta. Não posso doar para ele...

O olhar de Leonardo caiu sobre Helena.

— Helena é do tipo A. Façam a doação com o sangue dela.

Helena levantou a cabeça de repente.

— Eu não vou doar.

— Você atropelou o homem. Precisa assumir a responsabilidade. — O olhar dele ficou sombrio. — Se alguma coisa acontecer com ele, eu não vou deixar você escapar.

Um frio atravessou o corpo de Helena. Sua voz tremia.

— Você quer fazer como da última vez? Quer obrigar meus pais a morrer e me obrigar a morrer também?

As pupilas de Leonardo se contraíram, como se as palavras tivessem atingido algum ponto doloroso.

No instante seguinte, ele endureceu o coração e ordenou aos seguranças:

— Levem Helena e tirem o sangue.

Helena foi imobilizada à força na cadeira de doação. Quando a agulha entrou em sua veia, as pontas dos dedos tremeram de dor.

A bolsa se encheu pouco a pouco, enquanto sua consciência ficava cada vez mais turva.

Helena se lembrou de quando tinha anemia. Naquela época, Leonardo ficava desesperado até quando ela apenas ralava a pele.

Agora, ele mandava segurar Helena e tirar seu sangue para salvar um homem que tinha se jogado na frente de seu carro.

Sua visão escureceu repetidas vezes.

Por fim, Helena não aguentou mais e desmaiou.

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