CAPÍTULO 7
Quando Helena acordou novamente, já estava escuro.

Ela sustentou o corpo enfraquecido, saiu da cama e se preparou para deixar o hospital.

Ao passar por um quarto, ouviu a voz doce e melosa de Bianca vindo de dentro.

— Pai, mãe, este é Leonardo, meu namorado.

Helena parou.

Pela porta entreaberta, ela viu Leonardo com o braço na cintura de Bianca. Ele falou em um tom carinhoso:

— Podem ficar tranquilos. De agora em diante, não vou deixar Bianca sofrer nenhuma injustiça.

A mãe de Bianca abriu um sorriso de satisfação.

— Que bom, que bom. Bianca teve muita sorte por encontrar um namorado como você...

Parada do lado de fora, Helena se lembrou de muitos anos antes.

Naquela época, Leonardo também segurava sua cintura e dizia solenemente aos pais dela:

— Podem ficar tranquilos. Eu jamais vou deixar Helena sofrer nenhuma injustiça.

Agora, ele repetia as mesmas palavras para outra mulher.

"Leonardo, então suas promessas duravam tão pouco."

Helena mordeu o lábio com força até sentir o gosto de sangue. Só então virou as costas e foi embora.

Depois de sair, ela conferiu a data. Faltavam três dias para a conclusão do cancelamento do registro civil.

Três dias depois, Helena e os pais poderiam deixar tudo para trás.

Por mais que Leonardo procurasse, não encontraria nenhum registro deles.

Quando voltou, Helena começou a arrumar depressa o que levaria.

Algumas roupas, o documento de identidade, o passaporte...

Não queria levar mais nada.

A porta do quarto se abriu de repente enquanto ela guardava o passaporte na bolsa.

Leonardo estava na entrada. Bianca chorava atrás dele.

— Meu pai saiu de perigo, mas já não é jovem e sofreu muito desta vez... — Bianca falava entre soluços, com as lágrimas caindo sem parar.

Leonardo ergueu a mão e enxugou as lágrimas dela. Com a voz suave, disse:

— Pare de chorar. Eu já estou fazendo justiça por você, não estou?

Ele fez uma pausa.

— Como quer que Helena peça desculpas? Desde que não seja algo exagerado, eu aceito.

Bianca lançou um olhar tímido para Helena e respondeu em voz baixa:

— Eu... quero que ela passe alguns dias presa.

Leonardo franziu a testa imediatamente.

— Bianca, isso já é demais.

— Eu sei que você não tem coragem de fazer isso com ela. — Bianca agarrou a manga dele, com os olhos vermelhos. — Mas meu pai ficou gravemente ferido. Se Helena não receber uma lição, vai continuar maltratando a nossa família...

Ela mordeu o lábio e baixou ainda mais a voz.

— Seriam só alguns dias presa, para que nunca mais tenha coragem de fazer isso... Leonardo, eu sei que sua esposa é o verdadeiro amor da sua vida e que eu sou apenas uma distração. Se você realmente não consegue fazer isso com ela, então... é melhor acabarmos.

Leonardo ficou em silêncio por alguns segundos. No fim, puxou Bianca para os braços com uma expressão impotente.

— Não vamos acabar. Vou fazer o que você quer.

E foi assim que Helena acabou em um centro de detenção.

Antes de ir embora, Leonardo nem sequer olhou para ela outra vez.

Bianca, por sua vez, esperou até ter certeza de que ele já estava longe. Então se virou, lançou um sorriso frio para Helena, falou alguma coisa em voz baixa com um agente e colocou um maço de dinheiro nas mãos dele.

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