CAPÍTULO 2
Ao saber que o procedimento de cancelamento do registro civil levaria quinze dias para ser concluído, Helena conversou com os pais e, no fim, os três decidiram que ela voltaria primeiro para a casa de Leonardo.

Durante aqueles quinze dias, Helena precisaria continuar ao lado de Leonardo sem deixar que ele percebesse nada de estranho.

Caso contrário, com os métodos dele, nenhum dos três conseguiria ir embora.

Depois de voltar para a mansão, Helena começou a arrumar as coisas.

As fotos que antes considerava preciosas, as cartas de amor que Leonardo tinha escrito para ela, as lembranças das viagens que fizeram juntos... Helena jogou tudo na lareira.

As chamas engoliram o passado, como se queimassem um sonho ridículo.

No dia seguinte, Helena foi ao quintal dos fundos.

Ali havia uma área inteira de ipês que Leonardo tinha plantado com as próprias mãos para ela. Ele dizia que aquelas árvores simbolizavam fidelidade, assim como o amor dele por ela, que jamais murcharia.

Helena pegou um machado e derrubou uma árvore após a outra.

Os empregados ficaram à distância. Ninguém ousava se aproximar nem tentar impedir Helena. O som surdo e cortante dos troncos se partindo parecia o de uma obsessão sendo arrancada à força.

No terceiro dia, Helena foi ao Penhasco dos Namorados, no alto da montanha.

Ali havia um cadeado do amor com os nomes dos dois gravados. Anos antes, Leonardo tinha abraçado Helena, jogado a chave do penhasco e dito que os dois ficariam presos um ao outro para sempre.

Agora, Helena usou um alicate e cortou a corrente de uma vez.

O cadeado caiu no chão com um som seco e nítido.

Ela se virou e foi embora sem olhar para trás uma única vez.

Quando voltou para a mansão, havia duas pessoas a mais na sala.

Leonardo estava sentado no sofá, enquanto Bianca se apoiava no peito dele. O rosto dela estava pálido, e sua aparência era tão frágil que parecia que qualquer rajada de vento poderia derrubar Bianca.

Sem nenhuma expressão, Helena passou pelos dois e foi direto para o andar de cima.

— Pare. — A voz fria de Leonardo veio de trás.

Helena parou, mas não se virou.

— Sabe por que eu trouxe Bianca de volta? — Perguntou ele.

— Não me interessa.

— Depois que você mandou Bianca para fora do país, ela passou mal com a mudança e ficou dias sem conseguir dormir. — Havia reprovação na voz dele. — Helena, peça desculpas a ela.

Helena finalmente se virou e olhou para os dois.

Bianca segurava a manga de Leonardo com timidez, mas um brilho de triunfo passou pelos olhos dela.

— E se eu não pedir? — Perguntou Helena com calma.

— Deixa pra lá, não tem problema... — Bianca falou com uma fragilidade estudada. — Eu aguento um pouco de injustiça. Afinal... a Helena é sua esposa.

Leonardo apertou Bianca nos braços na mesma hora.

— Eu já não disse que você não precisa ser tão compreensiva?

Ele beijou o alto da cabeça dela.

— De agora em diante, eu vou cuidar de você. Pode fazer o que quiser.

Helena ergueu um canto da boca, achando tudo aquilo absurdamente irônico.

Uma empregada trouxe uma xícara de chá calmante e disse que tinha sido preparado especialmente para Bianca.

Nesse momento, o celular de Leonardo tocou.

Ele olhou para o nome na tela e falou com Bianca em voz baixa e carinhosa:

— Você sempre fica com dor de cabeça quando me ouve falar de trabalho. Vou atender lá fora. Beba o chá.

Depois disso, ele se levantou e saiu.

Helena permaneceu parada. Era como se um machado tivesse atingido o coração dela com toda a força.

Leonardo nunca tratava de trabalho na frente de outras pessoas, pois envolvia segredos comerciais. Mas agora, por Bianca, ele era capaz até de mudar esse hábito.

Só Helena e Bianca ficaram na sala.

A fragilidade no rosto de Bianca desapareceu no mesmo instante, substituída pela arrogância de quem tinha vencido.

— Viu só? — Ela riu de leve. — Você é a esposa de Leonardo e ainda usou essa posição para me mandar embora. Mas o corpo e o coração dele são meus.

Helena olhou para ela sem emoção.

— Você quer Leonardo? Então pode ficar com ele.

Bianca ficou surpresa por um instante e logo se irritou.

— Eu não preciso que você me dê nada! Mais cedo ou mais tarde, ele vai ser só meu. E o seu lugar também vai ser meu!

Ao ver que Helena não reagia, Bianca ficou ainda mais furiosa.

Foi então que os passos de Leonardo soaram do lado de fora.

Um brilho cruel passou pelos olhos de Bianca. De repente, ela pegou a xícara com o chá ainda fervendo e derramou tudo sobre o próprio corpo.

— Ah!

Bianca gritou, e as lágrimas brotaram imediatamente.

Quando Leonardo entrou correndo, foi exatamente essa cena que viu.

Bianca estava toda molhada e descomposta, com o chá escorrendo pela roupa, enquanto chorava de um jeito lamentável.

— Helena! — A raiva já transparecia em seu rosto. — Não bastou se recusar a pedir desculpas? Você ainda teve coragem de fazer isso com ela?!

— Não fui eu. — Helena manteve a calma. — Você pode verificar as câmeras.

— Ótimo. Vamos verificar! — Ele soltou uma risada fria.

Bianca imediatamente agarrou o braço dele e falou entre soluços:

— Leonardo, não foi culpa de Helena... Eu é que não devia ter sonhado em ficar ao seu lado. Vou embora agora mesmo...

Bianca mal deu um passo quando Leonardo puxou ela de volta com força.

— Eu mal consegui trazer você de volta, e agora quer sair da minha vista de novo? Quer acabar comigo?

Ele abraçou Bianca com força, como se segurasse um tesouro que tinha acabado de recuperar.

Então olhou para Helena. Seus olhos estavam assustadoramente frios.

— Eu vou fazer justiça por você.

Helena foi trancada na câmara frigorífica.

Enquanto os seguranças a arrastavam e empurravam para dentro, Helena se debateu com todas as forças.

— Leonardo! Verifique as câmeras! Não fui eu!

Ele nem sequer olhou para ela. Apenas respondeu com frieza:

— Não preciso verificar. Eu só acredito nela.

A porta pesada da câmara frigorífica se fechou.

A escuridão e o frio engoliram Helena no mesmo instante.

Ela se encolheu em um canto, tremendo por inteiro, mas o coração estava ainda mais gelado do que aquele lugar.

E ele ainda dizia que Helena era a pessoa que mais amava?

As lágrimas de Helena caíram sem que ela conseguisse conter.

Helena sempre foi muito sensível ao frio.

Depois do casamento, Leonardo gastou uma fortuna para instalar um sistema de climatização em toda a casa. Até o jardim externo permanecia agradável durante o ano inteiro.

No inverno, ele segurava as mãos e os pés gelados dela junto ao corpo e dizia com um sorriso:

— Vou manter você aquecida assim para sempre.

Pensando nisso agora...

Talvez uma promessa só fosse verdadeira no instante em que era feita.

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