O pesado decantador de cristal bateu com força na borda da escrivaninha de mogno, espalhando uma poça de líquido âmbar-escuro sobre a madeira antiga e polida como sangue envelhecido.
Eu não me importei.
Não me importei com as manchas, nem com o fato de que a bebida ardente escorria pelos meus nós dos dedos, queimando os pequenos cortes que o granito da margem do rio havia deixado.
Desta vez, bebi diretamente da garrafa.
Sem taça.
Sem aquela etiqueta ridícula do palácio.
Apenas o calor bruto e d