Todos correram imediatamente para o hospital.
Sem nenhuma força no corpo, Yasmin respirava com dificuldade.
Ela reuniu o pouco de energia que ainda lhe restava, se levantou e saiu cambaleando da mansão.
Depois, correu como pôde até a clínica veterinária.
......
No hospital, o médico suspirou e balançou a cabeça.
— O estado de Enzo está piorando muito rápido. Com o tratamento atual, a única alternativa é antecipar a coleta de células fetais para estabilizar temporariamente o quadro dele.
Lucas hesitou por um instante.
— Não existe outra solução?
Os olhos de Valeria ficaram vermelhos na mesma hora.
Ela agarrou a mão dele.
— Você vai mesmo ficar olhando enquanto Enzo morre?
Lucas observou Enzo deitado na cama, fechou os olhos por um instante e acabou assentindo.
— Está bem.
......
Yasmin mal tinha chegado à entrada da clínica veterinária quando vários seguranças apareceram de repente.
Eles forçaram Yasmin a entrar no carro e levaram ela para o hospital.
Antes de ser levada para a sala cirúrgica, Yasmin ouviu as vozes de Thiago e Lucas do lado de fora.
— Lucas, tem certeza de que isso não vai machucar Yasmin nem o bebê?
— Tenho. Ninguém se importa tanto com Yasmin e com nosso filho quanto eu. Jamais deixaria alguma coisa acontecer com nenhum dos dois.
Yasmin foi amarrada à mesa cirúrgica.
Uma dor insuportável tomou conta de todo o seu corpo.
Seu abdômen parecia estar sendo esmagado, e ela acabou desmaiando.
Yasmin não sabia quanto tempo tinha passado quando recobrou a consciência.
Sentiu um vazio no ventre.
Então ouviu as enfermeiras conversando:
— Retiraram uma quantidade muito grande de líquido amniótico de uma só vez e, no fim, não foi possível manter a gravidez.
Com o olhar vazio, Yasmin saiu da cama e caminhou lentamente para fora.
Agora, ela só tinha Pipoca.
Precisava buscar Pipoca e ir embora para sempre.
Yasmin pegou um táxi até a clínica veterinária.
Ainda do outro lado da rua, viu Pipoca encolhida dentro de uma gaiola.
Ao ouvir a voz de Yasmin, Pipoca se levantou imediatamente e correu na direção dela.
As pupilas de Yasmin se contraíram, e ela gritou com a voz rouca:
— Pipoca, não corre!
No instante seguinte, o barulho de uma colisão ecoou pela rua.
Um carro em alta velocidade atropelou Pipoca e arremessou seu corpo para longe.
Pipoca se contorceu algumas vezes antes de ficar imóvel.
O sangue tingiu o asfalto de vermelho.
Um zumbido ensurdecedor tomou conta dos ouvidos de Yasmin.
As imagens do acidente que matou sua mãe invadiram sua mente.
Com o corpo inteiro tremendo, ela correu até Pipoca, fora de si.
Ela se ajoelhou ao lado da poça de sangue, pegou Pipoca nos braços e entrou correndo na clínica.
— Pipoca... não me assusta assim.
O veterinário examinou Pipoca e balançou a cabeça.
— Pipoca não tem mais batimentos cardíacos... Sinto muito.
Yasmin caiu de joelhos.
Com o olhar vazio, abraçou Pipoca enquanto o corpo em seus braços ficava cada vez mais frio.
Ela permaneceu ali por horas, até anoitecer.
Depois, Pipoca foi cremada.
Yasmin pegou a urna com as cinzas e deixou a clínica lentamente.
Assim que saiu, seu celular tocou.
[Saímos em dez minutos.]
Yasmin continuou andando.
Um carro preto parou diante dela, e ela entrou.
Em seguida, tirou o chip do celular e jogou pela janela, junto com o anel que usava.
O vento assobiava lá fora.
Yasmin enxugou a lágrima no canto do olho.
Família, amor, amizade...
Ela não queria mais nada disso.
A partir daquele momento, nunca mais veria nenhum deles.