Mundo de ficçãoIniciar sessãoSua mãe a levou até o aeroporto em Honolulu, junto com Noah, que em seus 15 anos, estava sempre entediado e reclamando.
Ao se despedir de Luna, Noah tirou os olhos do seu celular, acenou com a cabeça e disse:
— Até mais mana.
Voltou a encarar a tela como se sua vida dependesse disto. Luna revirou os olhos olhando para seu irmão. Ela ia sentir saudades deste idiota.
Alice apertou Luna tão forte em um abraço de urso, que Luna chegou a ficar sem ar.
— Ah meu amor, eu vou sentir tanta saudade... você vai me ligar sempre? Promete que vai se divertir também, e não vai ficar só preocupada com treinos e performance? Não esquece que você pode me contar tudo? Será que eles vão te alimentar direito? Não deixa ninguém ser cruel com você! Você está levando roupa suficiente? Pegou roupas de frio?
— Nossa mãe, pelo amor de Deus. Vocês mães brasileiras são loucas! – Luna disse primeiro de cara fechada, mas depois dando uma risada, quando Alice lhe deu um olhar de desaprovação.
Mark, representante do patrocinador, estava no aeroporto para acompanhá-la. Quando o voo para Orange County foi chamado Mark disse que era hora de irem.
Luna abraçou sua mãe mais uma vez, e respirou fundo para guardar o cheiro dela na memória. Seus olhos se encheram de lágrimas, mas ela não deixou que elas escorressem.
— Vai dar tudo certo, filha! Me liga quando chegar! – Disse Alice dando dois tapinhas na bunda de Luna.
— Te amo mãe.
.....
Luna e Mark atravessaram as catracas para a área de embarque. Foi ali que a realidade atingiu seu estômago em cheio.
Mark estava empolgado. Assim que se viu sozinho com Luna começou a falar sem parar sobre o que esperava por ela quando chegassem ao seu destino.
— A casa fica em San Clemente, perto de Dana Point — explicou, checando o celular e os assentos no cartão de embarque — A Surf House é bem grande, e é bem confortável para todos da equipe. Com você, a casa vai ficar com oito residentes. Você vai dividir o quarto com uma das meninas do time.
Luna apenas assentia enquanto Mark falava... e falava... e falava.
— Vocês mesclam treinos técnicos na água, exercícios de respiração, Yoga, fortalecimento, equilíbrio, condicionamento físico, procedimentos de emergência, organizando-se de acordo com as condições do tempo, condições do mar, e o que o treinador preparou para aquela semana. Vocês recebem orientações de alimentação da nossa nutricionista, que já monta todo o cardápio da semana. São no mínimo 6 refeições por dia, de acordo com o treino daquele dia. Você também terá sessões com o técnico assistindo a vídeos com sua performance, performance de competidores, onde ele vai apontar quais são os pontos de atenção.
Eles entraram no avião e tomaram seus assentos lado a lado. Luna só queria colocar seus fones, ouvir suas músicas e ler seu livro. Será que ele ia falar durante as 7 horas de voo?
— O preparador é rígido, mas muito bom. Você vai ver. — continuou Mark. — Tem sessões de fisioterapia e uma psicóloga disponível. Terão sessões obrigatórias, mas eles sempre podem te atender se você sentir que precisa de uma sessão extra. A marca quer atletas que vendem todo um lifestyle, e não só que sejam bons em cima da prancha. Você vai se encaixar perfeitamente!
Ela sorriu, tentando parecer mais confiante do que se sentia.
Era muita informação. Tudo grande demais. E se ela não se encaixasse? E se tudo isto fosse demais para ela digerir? E se as pessoas do time fossem horríveis e a odiassem?
— Já temos três marcas prontas para montar campanhas com você nas redes sociais e em algumas revistas digitais de surf. – Continuou Mark. - A equipe é ótima! Eles sempre extraem o melhor da personalidade de cada atleta! A equipe financeira também vai entrar em contato com você para discutir os detalhes da sua remuneração e benefícios.
Luna engoliu em seco.
— Eu não costumo ver vocês o tempo todo, mas vou te deixar um cartão com meu telefone. Sempre que tiver qualquer problema, pode me ligar ou mandar uma mensagem que eu te retorno assim que possível.
— Se importa se eu trabalhar um pouquinho? – Disse Mark pegando seu notebook em sua mala de mão.
— Claro que não! – Luna suspirou aliviada. Finalmente poderia ficar sozinha com seus pensamentos.
Colocou os fones de ouvido. A música envolveu seus sentidos enquanto o avião começava a se mover.
Ela fechou os olhos.
O medo ainda estava ali. Mas, pela primeira vez, também havia uma excitação silenciosa.
Talvez… só talvez… estivesse pronta para voar.







