Mundo ficciónIniciar sesiónPov's Olivia.
Fazenda/ Casinha simples. Interior do Texas. 08:00 AM. Eu entrava uma vez na semana no quarto dos meus pais, para fazer a faxina. As roupas, os pertences da minha mãe continuava no mesmo lugar. Meu pai não havia desfeito de nada. As coisas da minha mãe permaneciam presentes. Ele não dormia aqui, ele odiava este quarto, ele preferia dormir jogado no sofá, do que respirar esse ambiente. Eu arrumava tudo. Lavava as roupas dos dois, eu dobrava os vestidos da minha mãe, como se ela fizesse parte e estivesse sempre presente. Sempre que eu entrava, a primeira coisa que eu via era pro porta-retrato na estante, da foto do casamento deles. Um amor tão bonito, havia sido destruído por uma tragédia.  Meu pai havia mudado muito desde da partida da mamãe. Ele virou um viciado em bebida álcoolica, tornou-se mais amargurado. Ele começou odiar o mundo. Ele descontava diariamente suas frustrações em mim e em Hope. — Aí que susto, garota!— me espantei, quase derrubando a vassoura das mãos.  — Tá no mundo da lua, Olivia? Será que está pensando no seu príncipe encantado? Hope insinuou, sorrindo. Não havia tristeza para ela. — Estava arrumando o quarto.— me virei, tentando retornar os meus afazeres — Você está atrapalhando. — E aí, você falou com o pai?— a voz de expectativa da própria, ecoou. Fiz uma expressão de lamento, suspirando, sem que visse. — Ele me permitiu ir a escola?— Hope perguntou, ansiosa. E virei a cabeça em seu sentido, e meus olhos murchos foram suficientes, para que notasse: — Ele não deixou, né? Ela encheu os olhos de lágrimas, concluindo. — Vou tentar convencer a ele.— argumentei, mas Hope se revoltou: — Ele nunca me deixa eu fazer nada! Ele nunca me deixa sair de casa!— aos gritos, a via chorar. — Calma, o pai só tá cuidando de você.— me aproximei, a confortando. — Olivia, ele me odeia.— chorando, ela afirmou – Ele não me deixa fazer nada. A olhava com pena, sentindo as lágrimas descerem pelo meu rosto. Havia um trauma imenso nela. Deslizei as mãos sobre o seu cabelo, ajeitando. — Quando a mamãe voltar, será tudo diferente.— garanti. – Que mamãe!— ela se afastou. — Talvez seja culpa dessa mulher. — Não fale isso, Hope.— a repreendi.— Você não a conhece. — Nosso pai nos odeia por culpa dela.— com os olhos avermelhados, e as lágrimas caindo, Hope acusou:— Ela é uma assassina! Deferi um tapa forte em seu rosto, sem conseguir me conter. O estalo do tapa, doeu até mim. A fitei em choque. — Por que me bateu, Olivia? — a vi me encarar horrorizada.— Está louca? Após, ela saiu do quarto, aos tropeços. Continuei imóvel, com as minhas mãos tremendo. Os meus dedos tremiam freneticamente, havia sido a primeira vez que havia encostado um dedo nela. Fui para canto da estante, e peguei o porta-retrato com foto da minha mãe. Sentia muita falta dela. — Olivia! — escutei o grito do meu pai, e estremeci dos pés a cabeça.— Vem cá! Estranhei, por perceber que havia voltado antes da hora do almoço. Corri para sala, pois quando ele chegava e não via ninguém, ele ficava puto de raiva. — Oi, pai.— o respondi. E parei os meus passos bruscamente, quando vi Bryan. Congelei. — Seu primo tem umas palavras para lhe dizer. Desembucha (fale logo)! Meu pai deu uns tapinhas nas costas dele. O rapaz que frequentemente ficava pondo flores na janela do meu quarto, segurava um buquê nas mãos. Ele olhou para mim, tímido, e desviei o olhar nervosamente. — Eu...q-qu... – Sem gaguejar.— meu pai brigou, impaciente. — Vira homem, e fala logo. — Queria pedir a mão da sua filha em namoro, tio. Foi baque ouvir aquele pedido. Meus olhos ficaram aterrorizados. — Deveria ser em casamento. Não aguento mais sustentar essa encalhada.— meu pai reclamou, como se eu fosse um peso.—Dou a minha benção. Me contorci inteira, fechando a minha mão em desespero. — Ele é meu primo.— protestei, quase chorando. — E daí? — Primos não devem namorar e nem casar.— aleguei; E me encolhi, com medo, quando meu pai me lançou um olhar duro. — Bryan é um ótimo partido para você, Olivia.— meu pai apertou meu braço;— Ele é filho do Sebastin, do meu irmão querido. Não se atreva, a contrariar a minha palavra. Abaixei a cabeça, aos prantos. — Engula o choro.— ele mandou, me intimidando. Entreolhei pro meu primo, sentindo um terror por dentro. Virei o rosto, deixando as lágrimas caírem pelas minhas bochechas. Eu não o amava. 






