Vó, chega!

Pov's Olivia.

Interior/ 

Servi o almoço pro meu pai e pra Bryan. Após ambos saírem, fui pro quarto. 

Não havia tido estômago para comer nada, não parava de pensar.

Me sentei na minha cama, com a feição deprimida. Hope que estava encolhida na rede, indagou:

— O que você tem?— sua voz doce percorreu.

— Nada.— tentei disfarçar, vendo-a com cara inchada de chorar.

—Não tô brava com você, Olivia.— ela soltou, abaixando a guarda; e a olhei mexida. — Eu te perdoo, Olivia, o tapa nem doeu.

De um jeito fofo, a adolescente deu de ombros. Me levantei de onde estava, e me sentei na beirada da rede.

– Me desculpa.— sussurrei baixinho — Eu perdi a cabeça.

— Eu sei.— a mesma reconheceu.— Eu também peguei pesado, não deveria ter chamado a nossa mãe de assassina. 

Hope falou, e lhe mirei tocada, avistando que estava arrependida. 

A abracei de lado.

— Só temos uma a outra.— declarei— Temos que continuar unidas.

Hope emocionou-se, sorrindo fraco. Ela encostou a cabeça em meu ombro, e fiz carinho.

— Papai agora inventou que eu devo namorar — murmurei. 

— Como assim?— ela reagiu, erguendo-se a cabeça.— Com quem?

— Com o Bryan.— soei tensa.

—Ele é apaixonado por você, Olivia.— Hope comentou, e balancei a cabeça incomodada.

— Mas eu não gosto dele.— afirmei, com os olhos cheio de lágrimas. 

— Ele é bonito Olivia, e já tá na hora de você namorar, e encontrar alguém que cuide de você.

— Não preciso de ninguém, Hope — a cortei, receosamente.— Eu gosto de viver sozinha.

–Não fale assim, mana.— a mais nova me interrompeu.— Você tomou o lugar que era da nossa mãe, vive sendo empregada do nosso pai, aguentando inúmeras ofensas.

— É o mínimo que eu posso fazer, depois de tudo— confessei, baixinho.

— Do que  está falando, Olivia?

Hope fizera uma cara confusa.

— Nada.— disfarcei rapidamente — E olha, você vai estudar sim.—  assegurei, me levantando da rede.

—O pai deixou?— seus olhos claros ficaram esperançosos.

— Ele não precisa deixar.

– E como é que vou a escola sem que ele saiba?

— Sou maior de idade, posso te matricular. O pai geralmente costuma passar o dia na roça, ele só vem na hora do almoço. Você vai durante a tarde, e a escolinha é aqui perto, ele não vai perceber nada.

— Você faria esse sacrifício por mim, irmã?

No canto dos seus lábios, há um sorriso meigo.

– Claro que sim.—lhe encarei, emocionada.

— Obrigada!

Hope agradeceu, me dando um abraço apertado. 

— Tenta não ser malcriada com ele.— pedi.— Pai não pode notar nada.

(....)

Algumas horas depois...

A noite.....

18:00 PM.

Coloquei na mesa a sopa. O pai já estava esperando a janta.

— Cadê a sua irmã?— grosseiramente, ele perguntou. 

— Ela já tá vindo.— informei, indo até o fogão a lenha.

— Você também para de andar.— ouvi a repreensão.–  Quantas vezes vou ter que repetir, que quando é na hora da refeição, eu quero todas na mesa.

— Pai...— tentei falar, mas escutei um grito:

— Cala a boca! Não me responda.

Avistei o próprio apontar o dedo indicador, autoritário.

Lhe olhei fundo, me segurando de raiva. Resolvi obeceder, e fui sentar na cadeira.

Hope apareceu.

— Sua benção, pai.— ela agachou, diante da mão dele.

E de uma maneira hostil, o pai disse:

— Deus te abençoe.  Agora senta aí, vai jantar garota, está muito magrela.

Com tom de indiferença, o próprio resmungou.

Ele começou engolir a sopa a quente, com a colher. Eu e Hope nos olhávamos, acuadas, e através de olhar pedi para que ela comesse.

O silêncio foi interrompido...

— Quem é que está batendo palmas a essa hora?— papai se irritou, jogando a colher sobre o prato.— Que saco, meu! Não pode nem mais comer em paz.

— Eu vou lá olhar.— levantei da cadeira, indo checar.— É a vó.— avisei, espiando da janela.

— É a minha mãe?

— Não, é a vó Helena.

Meu pai bufou, apertando a colher com força.

— O que essa velha quer perturbando uma hora dessas?

— É pra deixar entrar ou não, pai?— perguntei, com tom de receio.

— Deixa entrar.— ele autorizou.

E destranquei a porta.

A minha avó materna adentrou, e logo na entrada:

— Trouxe esse bolo de milho.— ela me entregou.— Fiz hoje a tarde, ainda tá quentinho, Olivia.

Agradeci, segurando a bandeja.

Observei o meu pai revirar os olhos, lá da mesa.

— O que você quer aqui, Helena?— com a voz impaciente, meu pai murmurou. 

— Boa noite, Jack.— a minha avó o cumprimentou. — Passei hoje cedo aqui, mas você não estava.

— Eu trabalho, não sou um encostado, Helena.— ele rebateu, jogando uma indireta. 

Hope e eu percebiamos a troca de farpas. 

— É com você mesmo que eu quero falar, Jack.— minha avó já foi aumentando o tom da voz.— Que história é essa, que anda falando mal da Laura por aí? Tô cansada de você levantando calúnias contra a minha filha.

— Sobre aquela meretriz? 

— LAVA A SUA BOCA, PRA FALAR DA MINHA FILHA!— ela se alterou, apontando lhe o dedo.

– Vó— a segurei.— É melhor a senhora ir embora.— supliquei.

— Eu não vou, sem antes de dizer umas verdades na cara desse vagabundo.

— Não me chame de vagabundo.— meu pai deu sobressalto da cadeira– A senhora me respeite! 

Meu pai ficou nervoso, ao se sentir ofendido.

— Maldito o dia que Laura foi casar com você. — minha avó o humilhava com as palavras— Um peão analfabeto, que não vale nada.

— Vó.— a implorava, segurando-a.— Por favor não arruma confusão.

— Me deixe, Olivia, eu ainda não terminei.— ela afastou as minhas mãos.— Laura vai sair da prisão amanhã, ela vai vir buscar as filhas dela.

— Nem por cima do meu cadáver, aquela mulher atravessa essa porta.— meu pai enfatizou.

— Um dia, você ainda vai pedir perdão de joelhos a Laura, Jack.—vó Helena encarou os olhos frios dele, numa confiança.— Esse dia ainda vai chegar.

— Prefiro morrer, do que me humilhar pela assassina do meu irmão. 

— Quem enfiou o finado Sebastin na sua própria casa, foi você, Jack. Você confiou no seu irmão demais.  Deixou a sua mulher e sua filha sozinha com um ESTRANHO, sem ter noção do que se passava no seu próprio teto.

— Do que está falando, velha?— papai perguntou, sem entender.

— Vó, é a melhor senhora ir embora.— intervi.— Chega!

 

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