Eu não consigo

Pov's Olivia.

Desde que minha avó havia ido embora, após a briga feia que tiveram, meu pai nem terminou de jantar e foi se trancar no quarto.

Estava preocupada, pois ele havia ficado muito mal com tudo que ouviu.

Minha avó Helena nunca aceitou casamento entre minha mãe e ele, sempre o rebaixou por conta de ser um homem simples, trabalhador.

Minha mãe o escolheu ainda muito nova, e isso gerou até um conflito na relação entre minha avó e ela.

Mas com tempo que minha avó acabou aceitando, apesar de sempre demonstrar a insatisfação sobre o casamento dos dois.

— Você acha que eu devo ir lá?— indaguei a Hope, que terminava de comer.

— Não sei.— ela deu de ombros.— Posso comer sua sopa?

Assenti com a cabeça, vendo-a pegar o meu prato, que estava ainda cheio.

Fiquei inquieta, me movendo em circulos, até que eu não aguentei. Fui até o pequeno corredor. 

Fitei a maçaneta da porta do quarto, cogitei em puxar, mas apenas coloquei ouvido perto da madeira.

Escutei alguns ruídos abafados, parecia o som de choro.

 Acho que meu pai ainda chorava pela minha mãe, mas ele escondia a sua a dor, através do orgulho.

Ele era teimoso e nunca assumia o quanto sentia a falta dela.

Senti o toque em meu ombro e me arrepiei, tombando o corpo para frente. Arregalei os olhos, e cochichei baixinho:

— Você estava agora há pouco lá na cozinha, o que faz aqui?

— Teu namorado chegou, Olivia. Anda, de pressa!— ela começou a me empurrar.

Fiz uma careta de desgosto, no exato instante, ainda não havia me acostumado com essa ideia absurda.

Respirei fundo, sentindo um pavor dentro mim. Procurei me manter firme, mas quando nós duas retornamos a sala, e vi o meu primo, a primeira coisa que senti foi um medo terrível.

Diferente de mim, que estava com os olhos assombrados, ele abriu um sorriso largo, ao me vê: 

— Oi! 

Entreolhei para Hope, que estava toda risonha.

— Vou deixar os pombinhos a sós.— ela se virou, e logo impedi.

— Fica.— implorei.— Por favor.

Minha voz soou quase como um pedido de socorro. 

Bryan desfez o sorriso, ao notar o quanto eu estava tensa em sua presença. 

— Tá bom.— Hope retornou para cadeira, onde estava comendo. — Irei vigiar vocês, pelo pai.

E meu primo foi sentar no sofá, e sentei numa cadeira bem distante. Fiquei balançando as pernas, nervosa, cabisbaixa. 

O silêncio ensurdecedor invadiu.

Tudo que ocorria eram troca de olhares,  e que rapidamente eu desviava, quando eu avistava que Bryan também estava me olhando.

— Quer comer sopa, primo? Foi a Olivia que fez. Ela é ótima na cozinha! Já dá até pra casar.— captei na voz de insinuação da Hope, como se jogasse ele pra cima de mim. Lhe lancei um olhar de desespero.– Se quiser tá aqui.

— Não quero, obrigado, eu já jantei.— ele respondeu, sem jeito.

O silêncio voltou a surgir.

E novamente pude sentir os olhos azuis do meu primo pairando em mim.  O nervosismo era constantemente demonstrado devido o contato visual . 

Até que...

Ele levantou-se do sofá. 

— Já que o tio não  apareceu, preciso ir. Boa noite!

— Vai acompanhar o seu namorado até a porta, Olivia.

Engoli em seco, encarando feio Hope, que me provocava. E sem ter escolhas, o acompanhei.

Escancarei a porta de saída, e ele passou. Ele ficou parado, e lentamente suas íris miravam em direção ao meu rosto cabisbaixo.

— Soube que sua mãe tá saindo da prisão....— ouvi o comentário, e de imediato,  o encarei de relance.

— Você a odeia, né?— questionei.

E Bryan se esquivou, ficando calado.

— Meu pai está morto por culpa dela. ODIAR  é uma palavra muito forte, talvez eu sinta dó da tia Laura.

— Dó?— soei, ofendida.—  Ela passou 15 anos presa, injustamente. Ela perdeu anos da vida. Minha mãe não precisa do seu sentimento  de pena— completei, e o filho do tio Sebastin abaixou a cabeça abruptamente.

— Desculpa, Olivia.

— Vai embora.— mandei, imediatamente – Esse namoro você criou só na sua cabeça, porque não existe para mim.

— Mas o tio deu benção.

– Eu não tô nem aí pro meu pai!— deixei claro.— Eu não estou apaixonada por você, Bryan.

Os olhos entristecidos do mesmo me encararam, haviam lágrimas, como também nos meus.

– Você ainda vai se apaixonar por mim, Olivia. 

Neguei com a cabeça, e as lágrimas respingavam pela minha face. 

— Não podemos ficar juntos. — afirmei.— Vai embora! — mandei uma segunda vez.

E meu primo desceu a escadinha da casinha, e montou no cavalo. 

Estava abalada psicologicamente, porque haviam muitos segredos e um deles, destruiria a minha família para sempre.

(((......)

Presídio Feminino. 

Pov's Laura.

" Pai nosso, que está no céu. Santo ficado seja o teu nome. "

Rezava de joelhos, enquanto me prepava para tudo que estaria me aguardando fora da cadeia.

Finalmente eu ia poder respirar o ar livre, recuperar tudo que eu havia perdido.

Passei a noite inteiro em claro. Nem consegui dormir, remexendo-me de um lado pro outro.

Quando os primeiros raios solares adentraram na cela, abri um sorriso de esperança. Era hoje.

Agente penitenciária bateu na grade, avisando-me que estava na hora. Me levantei, e fui sendo escoltada por duas policiais. 

As outras presas batiam nas grades e soltavam piadas e deboches. 

Eu andava pelo imenso corredor do presídio, prestes a sair. 

Entrei numa salinha antes, para retirar o uniforme laranja e pôr o meu vestido.

Recebi os meus pertences numa sacolinha transparente de plástico.  Coloquei a pulseira em meu braço, como também a minha aliança de casamento no dedo esquerdo.

E me guiei até o grande portão de saída. Suspirei fundo, e ergui os meus olhos em direção ao lado de fora. 

Me emocionei, sabendo que não estaria sozinha neste momento de recomeço. Minha mãe me esperava, e seus braços se abriram e fui de encontro a ela, abraçando-a fortemente.

— Quanto tempo, Laura!— sua voz emocionada pronunciou.

Nosso abraço era carregado de emoção, e de lágrimas. 

—Olivia e Hope não vieram?— perguntei, as procurando.

– Aquele ogro nunca permitiria.— minha mãe o mencionou, e me pus séria. 

Minha expressão mudou.

— Jack já me perdoou, mãe?

— Ele prefere ver o diabo na frente dele, do que você Laura. Esquece esse homem. 

— Eu não consigo.— admiti. 

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