Helena Marin
Nova York estava molhada, escura e barulhenta como de costume quando entrei no tribunal naquela manhã.
A chuva fina tecia cortinas translúcidas entre os prédios, tornando o mundo além dos vidros do meu carro uma aquarela borrada de cinza e âmbar. Dentro, porém, o ambiente era controlado ao grau zero: ar condicionado silencioso, couro polido, o cheiro discreto do meu perfume, Gardênia, o mesmo que usava desde a faculdade, porque odiava surpresas, até nas fragrâncias.
Vestia meu unif