Mundo de ficçãoIniciar sessãoPOV da Eliana
Em um segundo tudo estava indo bem e, no outro, estou rezando para que meu coração não exploda devido aos batimentos acelerados causados pelo medo. Sabendo perfeitamente que o Sr. Scott era o melhor amigo do meu pai, eu deveria ter sido mais cuidadosa e vigilante, considerando o que eu tinha com ele. Como eu pude entrar na sala sem nem dar uma espiada para saber quem exatamente estava com o meu pai? Eu tinha entrado na sala sem a menor pista e totalmente alheia, sem perceber que o Sr. Scott tinha vindo fazer uma visita. E assim, do nada, estraguei tudo — tudo pelo que trabalhei tanto e planejei com tanto cuidado. — Você... — A expressão no rosto dele era aterrorizante. Meu coração bateu ainda mais rápido. Eu estava assustada, torcendo para que o Sr. Scott não revelasse tudo ao meu pai. Mas pareceu que meu pai percebeu que havia algo errado. Virando-se para o Sr. Scott, meu pai perguntou: — Tem algo errado? — Com medo de que o Sr. Scott lhe contasse a verdade, respondi correndo. — Nada, nada. É que o Sr. Scott e eu nos conhecemos mais cedo e ele não me reconheceu. Meu pai riu e se virou para o Sr. Scott. — Eu te avisei. — Depois, voltando-se para mim, perguntou: — Você se lembrou dele, não foi? — Sim, claro, pai, lembrei. — Dei ao meu pai um sorriso que não chegou aos meus olhos. Meu olhar vagou até onde o Sr. Scott estava. Havia uma expressão no rosto dele, algo em seus olhos — em seu olhar — uma expressão de nojo. Agora ele com certeza vai me odiar para sempre. Não posso dizer que me arrependo do que fiz, mas me arrependo de ter mentido para ele. Mas se eu não tivesse mentido, ele nunca teria olhado para mim ou me tocado daquele jeito quando não sabia quem eu era. Adeus ao sexo incrível que deveríamos ter hoje à noite, adeus ao sonho de finalmente fazê-lo se apaixonar por mim, adeus à minha vitória de curta duração. — Minha pequena Ellie se tornou uma jovem linda, inteligente e ajuizada. — Estou vendo... Ajuizada, de fato. — Essas palavras foram ditas baixinho, com rancor; cada palavra mordendo fundo na minha pele, no meu coração. Eu queria correr até ele, explicar, fazê-lo entender, fazê-lo ver a razão — mas isso não era possível. Tive que sentar bem na frente do Sr. Scott enquanto meu pai falava sem parar sobre minhas conquistas acadêmicas, meu talento — o design. — Isso me lembra, a Eliana vai entrar em uma escola de design em Londres. Como você fica mais baseado em Londres, pode me ajudar a ficar de olho nela. — Como se as coisas não pudessem piorar. Se o meu pai soubesse... O rosto do Sr. Scott não estava nada amigável; eu só conseguia imaginar o que passava pela cabeça dele. — Claro. — A palavra soou forçada. Eu tinha certeza de que ele mal podia esperar para sair da casa e acabar com aquela reunião bizarra. O telefone do Sr. Scott tocou; ele pediu licença e saiu da sala. A oportunidade perfeita para conseguir falar com ele a sós. Esperei um segundo, talvez dois, então pedi licença da sala, alegando ter um projeto que precisava terminar. — Sr. Scott! Sr. Scott! — chamei sem fôlego enquanto corria até ele. — Me desculpa, eu... — Você sente muito? Você sente a porra do muito? — disse ele, cortando a desculpa que eu ia oferecer. Ele riu, uma risada debochada e perigosa. Talvez vir aqui fora não tenha sido uma boa ideia, mas como eu podia ficar sentada assistindo a tudo escapar das minhas mãos? — Eu só, eu só queria que você olhasse para mim, me visse como uma... Eu mal conseguia formular uma frase decente. O olhar dele era tão intimidador, mas ao mesmo tempo quente — tão quente que eu já estava me imaginando sendo punida por ele, o tipo de punição que eu queria. O tipo que ele nunca se permitiria fazer depois de descobrir quem eu realmente sou. — Cala a porra da boca! A intensidade da raiva dele me atingiu em cheio. Eu conseguia sentir o calor daquilo. O medo e a tristeza pelo que eu estava prestes a perder me preencheram. O tesão pelo que possivelmente poderia acontecer a partir dali me consumiu com força. — Pirralha mimada! Você tem noção do que fez? — Eu fui atrás do que eu queria — respondi sem vergonha, dando passos lentos e deliberados na direção dele. — Você sabe a gravidade do que acabou de fazer? — Eu te quis a minha vida inteira; você nem olhava para mim, então eu fiz o que fiz. O que há de errado em eu ir atrás do que eu quero? — perguntei, irritada com a reação dele. Tipo, pelo amor de Deus, ele gostou também! — Você consegue escutar a porra do que está dizendo? Isso é proibido! Você é a filha do meu melhor amigo, pelo amor de Deus; não pode existir nada entre nós. Eu me recusei a acreditar nele. Sabia que ele me queria tanto quanto eu o queria; ele só não queria admitir. Caminhei mais perto dele, deixando meu medo de lado. — Eu sei que sou a filha do seu melhor amigo; isso importa? Sei que você me quer tanto quanto eu te quero. Depois da noite passada, você não pode negar o que está acontecendo entre nós. — Esfreguei minhas mãos no peito dele, subindo o dedo até os lábios dele e depois descendo mais até chegar abaixo do cinto; senti o quanto ele estava duro. Mesmo depois de saber quem eu era, ele ainda me queria. — Se você está com tanto medo de alguém descobrir, pode ser o nosso segredinho. Ninguém precisa saber sobre nós. — Pressionei meu peito, meus seios fartos, contra o peito dele, colando meu abdômen no volume dele. Ele respirou fundo, com a respiração irregular. Sorri por dentro, feliz, sabendo que eu ainda causava efeito nele. — Não adianta fugir agora, papai — sussurrei no ouvido dele. — Você me quer, quer me foder, eu consigo sentir. Sou toda sua. Depois da noite passada... — Cala a boca! — Ele urrou, me empurrando para longe dele. Não sei dizer se foi a força do empurrão ou a voz dele que me fez cair de cara no chão. Não consegui conter o grito que soltei. A queda foi inesperada — o empurrão também. Olhando para cima, vi a expressão de preocupação no rosto dele e decidi usar isso a meu favor. Bem, eu me comportei igual às garotas dramáticas de cinema. Choramingando e gemendo de dor — quase não havia dor nenhuma — deixei algumas lágrimas rolarem. — O que foi, Eli? — ele perguntou. Sem esperar por uma resposta, ele me pegou no colo e nos seus braços. Me aconcheguei nele. — Meu tornozelo... — O que está acontecendo aqui? — Meu pai! Quanto ele tinha visto e ouvido?






