O tique-taque do maldito relógio na parede me deixa louca. Um som contínuo, ritmado, que parece zombar da minha incapacidade de simplesmente apagar e dormir como uma pessoa normal. E o pior, parece me provocar ainda mais, mostrando que meu tempo é curto. Que eu não vou envelhecer, que não vou ter uma família e que vou morrer, outra vez, sozinha.
Viro de lado na cama, puxo o lençol para cima, depois para baixo. Me cubro, descubro. Nada adianta. Nem o colchão macio ou o travesseiro que cheira a l