CAPÍTULO 2

O treinamento brutal que recebi desde a infância, as surras, as noites sem dormir, a exposição precoce ao sangue... tudo o que meu pai me fez passar me transformou no predador que sou hoje. Rico além de qualquer conta bancária comum, perigoso o suficiente para ser evitado por governos e, agora, pressionado a cumprir a última obrigação. Gerar herdeiros para ensinar sobre o negócio. Criar homens para a máfia e mulheres que seriam as rainhas de outros criminosos.

— Vou perguntar de novo... Desde quando o senhor faz acordos nas minhas costas?

— Massimo, ela é uma boa garota — meu pai disse, ignorando minha fúria latente. — Foi treinada para ser obediente, moldada para ser uma verdadeira esposa dentro das regras da nossa sociedade.

— Pode desfazer — falei, a voz soando como o bater de uma tampa de caixão. — Não haverá acordo nenhum.

— Você sabe que não é assim que as coisas funcionam! — meu pai alterou a voz, batendo com a mão na mesa.

— Eu sei muito bem como as coisas funcionam, pai. Eu sou o dono dessa porra toda agora. E estou dizendo que não haverá acordo de casamento com o sul. Agora, se me dão licença, estou indo embora. Boa noite.

Levantei-me sem esperar resposta. Meu pai continuou falando atrás de mim, mas eu já estava mentalmente longe daquela sala de jantar sufocante. Ele não entendia. Não haveria acordo com nenhuma princesa da máfia treinada para a obediência.

Porque eu já tinha alguém em mente.

Chiara Rossi.

A primeira vez que a vi, ela foi como um soco no estômago que eu não vi chegar. Linda, com curvas que pareciam ter sido desenhadas para que as minhas mãos as explorassem. Foi em uma das visitas de rotina à sede administrativa da empresa de tecnologia que a Tríade Negra usa como fachada e investimento. Eu, Matteo e Adrian tínhamos decidido participar ativamente das ações daquela empresa, mas as obrigações com o sangue e a pólvora me mantiveram longe de lá nos últimos meses.

Faziam exatamente doze semanas que eu não via Chiara. Doze semanas que o rosto dela não saía da minha mente, como um fantasma que eu não conseguia exorcizar. Mas isso iria mudar amanhã. Eu estava fazendo uma viagem especial apenas para vê-la.

Desde o primeiro dia em que a vi sentada atrás daquela mesa de secretária, focada em tarefas mundanas que pareciam pequenas demais para ela, senti um desejo estranho me invadir. Não era a luxúria comum que eu satisfazia com mulheres descartáveis em clubes noturnos. Era algo mais intenso. Algo mais sombrio.

Naquele momento, eu tive uma certeza absoluta. Uma certeza que não admitia contestação: Ela seria minha.

Ela me disse “Boa tarde, senhor” naquele dia. Apenas três palavras. Eu as tinha ouvido de milhares de pessoas em tons de submissão, flerte ou medo. Mas na voz dela... na voz dela, senti um desejo perigoso se desenrolar na base da minha coluna.

Possessividade.

Eu não estava acostumado com a sensação de querer algo a ponto de ser violento. O sentimento era quase físico, uma pressão no peito que exigia que eu a tomasse ali mesmo, sobre a mesa, e marcasse cada centímetro daquela pele.

Desde aquele dia, eu sabia que nada me impediria. Nada me impediria de fazer Chiara Rossi minha. Nada me impediria de fazê-la me desejar com a mesma intensidade doentia que eu a desejava. Ela era como um feitiço que eu não tinha o menor interesse em quebrar.

Que Deus a ajudasse, porque eu não teria misericórdia. Chiara ainda não sabia, mas eu a faria minha. E não seria por uma noite ou por um capricho passageiro. Eu a queria no topo do meu império. Eu a queria na minha cama, carregando o meu sobrenome e, em breve, gerando os herdeiros que a minha família tanto exigia.

Ela seria a Rainha da Família Capone.

E eu seria o seu único dono.

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