Capítulo 3 - Vestido

O ateliê parecia ter saído de um sonho. O ambiente era delicado, cheio de vestidos brancos, rendas, tecidos brilhantes e detalhes que faziam cada peça parecer única. Mesmo sabendo que a escolha seria difícil, Marina sentia o coração aquecido. Afinal, aquele não era apenas um vestido. Era o vestido que usaria no dia em que começaria uma nova fase da sua vida.

Gorete já estava olhando tudo ao redor como uma criança em uma loja de brinquedos, encantada com cada detalhe.

— Especial nada... hoje é histórico! Vamos transformar essa mulher aqui em uma noiva de revista! — disse Gorete, animada.

Marina soltou uma risada.

— Você não muda nunca... — respondeu Marina, balançando a cabeça.

Lúcia observava as duas em silêncio, com um sorriso sereno no rosto. Seus olhos brilhavam discretamente. Para qualquer pessoa, era apenas uma escolha de vestido.

A atendente aproximou-se com um sorriso gentil.

— Qual é a data do casamento? — perguntou a atendente.

— Daqui a um mês — respondeu Marina.

A mulher arregalou levemente os olhos, surpresa.

— Então precisamos começar logo. Mas antes, desejam alguma coisa para beber? Talvez um chá para acalmar a ansiedade.

Gorete abriu a boca para responder, mas Marina foi mais rápida.

— Acho que vamos conseguir sobreviver sem chá. — disse Marina, sorrindo.

Lúcia e Gorete concordaram.

— Está bem, então vamos começar. — respondeu a atendente.

Ela conduziu Marina até uma área reservada, onde havia um grande espelho e um pequeno pedestal.

— Vamos começar com alguns modelos clássicos. Às vezes o vestido perfeito é aquele que encontramos quando menos esperamos. — explicou a atendente.

Minutos depois, ela voltou trazendo o primeiro modelo.Era simples, mas elegante.

A renda delicada, as mangas suaves e o corte valorizando a silhueta davam ao vestido uma beleza discreta.Marina passou a mão pelo tecido.Era macio, delicado ,quase como se carregasse uma história própria.

Ela entrou no provador enquanto Lúcia e Gorete aguardavam ansiosas.

— Estou nervosa. — confessou Marina.

— Nervosa nada. Abre logo essa cortina porque eu não aguento esperar! — brincou Gorete.

Alguns segundos depois, a cortina abriu e Marina apareceu.

O vestido caía suavemente pelo corpo, deixando-a elegante e delicada. Por alguns instantes, ninguém conseguiu dizer nada.O silêncio tomou conta do lugar.

Lúcia levou a mão à boca.

Seus olhos se encheram de lágrimas.

— Minha filha... — disse Lúcia, emocionada.

Marina olhou para o espelho.

Pela primeira vez naquele dia, percebeu a dimensão daquele momento.Ela não era mais apenas uma mulher apaixonada.Era uma noiva.Uma mulher prestes a começar uma nova história.

Gorete foi a primeira a reagir.

— Eu sabia... você está linda! — disse Gorete, com um sorriso emocionado.

Marina respirou fundo.

— O que foi? — perguntou Gorete, percebendo o olhar distante da amiga.

— Nada... só estou pensando. — respondeu Marina.

Gorete estreitou os olhos.

— Espero que não seja no preço.

Marina sorriu sem responder.

Ela sabia que sua mãe poderia ajudá-la, mas também conhecia os sacrifícios que Lúcia sempre fez por ela.

Durante toda a vida, sua mãe havia colocado suas necessidades em segundo lugar para que nada faltasse à filha.

George sabia disso.Dias antes, havia entregado um cartão para Lúcia e pedido que ela usasse para todas as despesas do casamento.

No início, ela recusou.Não queria que ninguém pensasse que estava aproveitando a posição financeira da família Castro.

Mas acabou aceitando quando precisou ajudar a própria mãe com exames e medicamentos.

Não era algo grave, mas era uma despesa inesperada.

Lúcia não contou nada para Marina.Não queria preocupar a filha.Nem pela saúde da avó.

Enquanto isso, no escritório de George Castro, o relógio marcava pouco depois das onze da manhã.

George tentava se concentrar nos relatórios sobre a mesa, mas sua mente parecia distante.

Desde a conversa com Vilma, sentia que precisava manter atenção redobrada.

As batidas suaves na porta interromperam seus pensamentos.

Ele nem precisou olhar.

Já sabia quem era.

— Pode entrar. — disse George.

Vilma entrou carregando alguns documentos.

Sua postura era elegante como sempre, mas havia algo diferente em seus olhos.

— Senhor George, chegou um novo contrato para sua análise. — disse Vilma.

Ela colocou os documentos sobre a mesa.

Quando entregou os papéis, seus dedos tocaram levemente a mão dele.

George retirou a mão imediatamente.

Seu olhar ficou sério.

— Vilma, já pedi que mantenhamos uma distância profissional. — disse George.

Ela inclinou a cabeça.Mas não demonstrou vergonha.Nem constrangimento.

Apenas sorriu.

— Claro, senhor George. Sempre profissional. — respondeu Vilma.

Mas seus olhos diziam outra coisa.Ela caminhou até a porta.

Antes de sair, parou.

— Posso fazer uma pergunta? — perguntou Vilma.

— Seja breve.George suspirou.

Ela virou-se lentamente.

— Sua noiva costuma vir aqui?

O olhar de George mudou imediatamente.

— Isso não é da sua conta. — respondeu George.

Vilma sorriu.Um sorriso discreto..

— Foi apenas curiosidade. — disse Vilma, saindo da sala.

Ela já sabia quem era Marina Almeida.

Sabia que era uma funcionária da empresa, uma mulher simples que estava afastada por alguns dias para cuidar dos preparativos do casamento.

E era exatamente isso que incomodava Vilma.

Na visão dela, Marina não pertencia ao mundo de George Castro.

Não tinha o luxo.Não tinha o poder.Não tinha o sobrenome.

E mesmo sem nunca ter encontrado Marina pessoalmente, uma antipatia crescia dentro dela.Era uma vontade de provar que poderia conseguir tudo aquilo que desejava. Pensou em ligar para um velho amigo.

De volta ao ateliê, Marina experimentava outro vestido.Esse era diferente.Mais volumoso.Mais chamativo.Cheio de detalhes brilhantes.

Gorete abriu um sorriso enorme.

— Esse é perfeito! — declarou Gorete.

Mas algo dentro de Marina dizia que ainda não era aquele.

Ela colocou a mão sobre o peito.

— Ainda não é esse. — murmurou Marina.

Lúcia percebeu.

Chamou a filha discretamente para um canto.

— Não se preocupe com o preço. Escolha aquele que fizer seu coração bater diferente. Esse será meu presente de casamento para você. — disse Lúcia.

Marina olhou emocionada para a mãe.

Sabia que aquela frase carregava muito amor.

Quando voltaram para perto da atendente, Gorete não perdeu a oportunidade.

— Isso não vale! Segredo entre mãe e filha durante a escolha do vestido? O dia está passando rápido demais. — brincou Gorete.

— Gorete, eu só peguei minha filha por alguns segundos._ disse Lúcia em meio ao sorriso

— Da próxima vez, vou pedir autorização antes. — respondeu Lúcia, fazendo drama.

Marina olhou para as duas e não conseguiu segurar a risada.

Não sabia como conseguia sobreviver às duas brigando por ela.

Sua mãe e sua melhor amiga eram completamente diferentes, mas tinham algo em comum.

As duas queriam vê-la feliz.

 A diferença de Vilma que já tinha planejado,como tirar  Marina do caminho para conquistar George.

Continue lendo este livro gratuitamente
Digitalize o código para baixar o App
Explore e leia boas novelas gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de boas novelas no aplicativo BueNovela. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no aplicativo
Digitalize o código para ler no App