Capítulo 2 - Amiga

Marina entrou no quarto para se arrumar. Diante do espelho, vestiu com cuidado o conjunto claro que havia escolhido para aquele dia tão especial. Prendeu os cabelos em um coque delicado, deixando algumas mechas emoldurarem o rosto, e finalizou a maquiagem com um batom de tom suave.Quando terminou, permaneceu alguns segundos observando o próprio reflexo.Sorriu.

Logo depois, a expressão alegre deu lugar a uma serenidade carregada de expectativa.

— Hoje vou encontrar o vestido com o qual vou me casar com o homem da minha vida.

As palavras saíram carregadas de felicidade, mas não conseguiram acalmar seu coração. Pelo contrário. A cada minuto ele parecia bater mais depressa.

Na sala, Lúcia a esperava com a bolsa pendurada no braço. A tranquilidade estampada em seu rosto era fruto dos anos. A vida lhe ensinara que nem toda tempestade anunciava o fim do caminho.

Quando viu a filha surgir, abriu um sorriso emocionado.

Por um instante, enxergou novamente a menina que corria pela casa usando lençóis como vestido de princesa. Agora aquela menina estava prestes a construir a própria família.

— Está pronta, minha filha?

Os olhos de Lúcia brilhavam de emoção.

— Acho que sim.

Antes que pudesse dizer mais alguma coisa, a campainha tocou.

Mãe e filha trocaram um olhar divertido.

— Só pode ser a Gorete — disse Lúcia.

Marina abriu a porta e imediatamente foi envolvida por um abraço apertado.

— Finalmente!

Gorete entrou na casa irradiando alegria.

— Hoje nós vamos encontrar o vestido que fará o George esquecer até o próprio nome quando você entrar na igreja.

Marina caiu na risada.

— Você nunca muda.

— Ainda bem! Alguém precisa trazer emoção para essa família.

Lúcia balançou a cabeça, divertindo-se com a animação da jovem.

— Vocês duas conseguem transformar qualquer manhã em uma festa.

Gorete piscou.

— E a senhora nem imagina as conversas que temos quando estamos sozinhas.

— Nem quero imaginar. Vamos logo antes que vocês resolvam me contar.

As três riram juntas, e o ambiente voltou a ficar leve.

Durante o trajeto até o ateliê, o carro foi tomado por lembranças da infância, histórias da escola e planos para o casamento. Gorete falava sem parar, arrancando sorrisos das duas.

— Já consigo imaginar a cena. A igreja inteira em silêncio, você entrando e o George completamente paralisado.

Marina sorriu, mas, logo depois, voltou a olhar pela janela.

Seu sorriso desapareceu lentamente.

Gorete percebeu na mesma hora.

— O que foi?

Marina demorou alguns segundos para responder.

— Talvez eu esteja sendo boba...

— Você nunca é boba quando alguma coisa realmente te incomoda.

Ela respirou fundo.

— É a secretária do George.

O carro mergulhou em um breve silêncio.

— A Vilma? — perguntou Gorete.

Marina confirmou com a cabeça.

— Não sei explicar. Sempre que penso nela sinto um desconforto... como se alguma coisa estivesse errada.

Gorete cruzou os braços.

— Mulher percebe quando outra mulher olha para um homem comprometido com segundas intenções. Se você quiser, eu mesma dou um jeito nela.

Lúcia sorriu discretamente antes de intervir.

— Também existe algo chamado confiança.

Marina abaixou o olhar.

— Eu confio no George.

— Então continue confiando.

Sem tirar os olhos da estrada, Lúcia segurou delicadamente a mão da filha.

— George escolheu você. Não escolheu dinheiro, posição social ou aparência. Escolheu quem você é.

As palavras tocaram Marina profundamente.

Desde a morte do marido, Lúcia enfrentara inúmeras dificuldades. Nunca pudera oferecer luxo à filha, mas lhe dera algo muito mais valioso: honestidade, caráter e dignidade.

Talvez fosse exatamente isso que George tivesse enxergado nela.

Marina sorriu com os olhos marejados.

— Obrigada, mãe.

Gorete bateu palmas uma única vez.

— Agora chega de tristeza! Hoje é dia de vestido, maquiagem e muita emoção.

Poucos minutos depois, o carro estacionou diante do elegante ateliê.

Marina permaneceu imóvel.

Os vestidos expostos na vitrine pareciam transformar sonhos em realidade.

Respirou fundo.

Seu casamento deixava de ser apenas um plano para ganhar forma diante de seus olhos.

— Vamos? — perguntou Gorete.

Marina continuou parada.

Gorete olhou para Lúcia e sorriu.

— Dona Lúcia, acho melhor pegar sua filha no colo.

Entrando na brincadeira, Lúcia abriu os braços como se realmente fosse carregá-la.

Marina caiu na gargalhada.

Toda a tensão desapareceu naquele instante.

As três entraram no ateliê.

O ambiente parecia saído de um conto de fadas. Tecidos delicados, rendas francesas, bordados feitos à mão e cristais discretos refletiam a iluminação suave do salão.

Uma atendente aproximou-se com um sorriso acolhedor.

— Bom dia! Sejam muito bem-vindas.

Marina respondeu timidamente:

— Hoje vou escolher meu vestido de noiva.

O sorriso da atendente se ampliou.

— Então este será um dos dias mais inesquecíveis da sua vida.

Marina olhou ao redor e, sem perceber, levou a mão ao peito.

Seu coração parecia confirmar aquelas palavras.

Na Empresa Castro, o clima era completamente diferente.

O silêncio dominava o escritório.George analisava alguns contratos quando ouviu batidas discretas na porta.

— Entre.

Vilma entrou carregando uma bandeja com uma xícara de café.Vestia-se com elegância impecável, refinada até demais para uma simples manhã de trabalho.Aproximou-se da mesa.

— Trouxe um café para o senhor.

George levantou os olhos dos documentos.

— Eu não pedi.

Ela colocou a xícara sobre a mesa com todo cuidado.

— Achei que pudesse estar precisando.

George permaneceu sentado.

— Agradeço a gentileza, mas prefiro que isso não volte a acontecer.

Vilma sustentou o sorriso.

— Gosto de cuidar das pessoas que admiro.

George apoiou lentamente a caneta sobre a mesa.Sua voz continuou calma, mas carregava firmeza.

— Vilma, nós já conversamos sobre isso ontem. Aqui existe apenas uma relação profissional. Quando eu precisar de alguma coisa, farei o pedido. Até lá, concentre-se exclusivamente no seu trabalho.

O silêncio tomou conta da sala.

Vilma abaixou discretamente os olhos.

— Desculpe, senhor George.

Parecia um pedido sincero, mas apenas parecia.Quando voltou a encará-lo, havia algo diferente em seu olhar.Ela estava acostumada a conquistar.Nunca a ser rejeitada.Sem dizer mais nada, deixou a sala.Assim que a porta se fechou, um sorriso discreto surgiu em seus lábios.Um sorriso frio.Calculista.A recusa de George não diminuíra seu interesse.Ao contrário.Pela primeira vez, alguém ousara resistir ao seu charme.E, naquele instante, George Castro deixava de ser apenas seu chefe.Transformava-se em um desafio.E Vilma nunca desistia de um desafio.Custasse o que custasse.

Continue lendo este livro gratuitamente
Digitalize o código para baixar o App
Explore e leia boas novelas gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de boas novelas no aplicativo BueNovela. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no aplicativo
Digitalize o código para ler no App