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Capítulo 2: O Incêndio de Gelo e Fogo

Alexander Carter odiava o som do vazio, e em Manhattan, o vazio costumava ser barulhento. Como o CEO mais jovem a comandar o império de investimentos da família, sua vida era uma sucessão de números, decisões gélidas e uma solidão que ele vestia como um terno bem cortado, feito sob medida para esconder qualquer rastro de humanidade que ainda pudesse pulsar sob o tecido caro. Aos vinte e sete anos, ele já havia aprendido que o topo do mundo era um lugar extremamente frio, um pico coberto por gelo onde o oxigênio era escasso e as amizades eram moedas de troca. As pessoas ao seu redor raramente olhavam para o homem; elas olhavam para o que ele representava: poder, herança e um saldo bancário capaz de comprar quarteirões inteiros da Quinta Avenida sem que ele precisasse consultar seu contador.

Naquela noite, a pressão parecia especialmente sufocante, como se o ar condicionado do seu escritório no 50º andar tivesse decidido parar de funcionar. Após uma semana de negociações exaustivas para a fusão de duas gigantes da tecnologia — um jogo de xadrez onde cada palavra valia milhões e cada silêncio era uma armadilha — Alex sentia que suas engrenagens internas estavam prestes a travar. Ele precisava de silêncio, mas seu corpo, tenso pela adrenalina do combate corporativo, pedia movimento, pedia uma distração que o fizesse esquecer o peso do próprio sobrenome.

Foi por isso que, contrariando seu hábito rigoroso de se recolher à sua cobertura minimalista, onde o único som era o zumbido da cidade lá embaixo, ele acabou na Vanguard. A boate era o epicentro do excesso, um templo de luzes neon e batidas graves que faziam o chão de mármore vibrar. Ele queria desaparecer na multidão, ser apenas mais um rosto anônimo sob as luzes estroboscópicas, um lugar onde ninguém ousaria lhe pedir um aporte financeiro, um conselho de mercado ou uma assinatura em um contrato de risco.

Ele se sentou em um banco alto no bar de mármore preto, um refúgio ligeiramente mais calmo no meio do caos, observando a massa humana lá embaixo. Alexander não era um homem de excessos; ele gostava do controle absoluto, da clareza mental que o permitia prever movimentos de mercado antes mesmo que eles acontecessem no gráfico. No entanto, o destino naquela noite tinha planos que não constavam em nenhum relatório de riscos. O destino usava o rosto de uma mulher deslumbrante, com cabelos que brilhavam sob as luzes purpúreas e um sorriso ensaiado diante de um espelho, que se aproximou com um olhar que fingia não saber exatamente quem ele era, embora a ganância em suas pupilas fosse quase palpável para alguém treinado como ele.

— Você parece carregar o mundo nas costas — disse ela, deslizando para o assento ao lado dele com uma elegância estudada. Ela se apresentou como Julianne. Alex não se importou em gravar o nome; para ele, ela era apenas mais uma peça na cenografia da noite. Ele estava cansado demais para ser educado, mas também solitário o suficiente para não expulsá-la imediatamente. O álcool e o cansaço formavam uma névoa perigosa. Enquanto conversavam sobre futilidades que Alex mal processava, Julianne lançou um olhar rápido para o barman e piscou de forma imperceptível.

Era um sinal combinado, uma coreografia ensaiada em esquinas escuras da cidade. O barman, movendo-se com a eficiência de quem já vendera a alma há muito tempo, preparou dois copos de cristal com um uísque caro, envelhecido em carvalho. Mas em um deles, com um movimento de mãos que a escuridão da boate camuflava perfeitamente, ele despejou uma dosagem cavalar de estimulantes sintéticos e afrodisíacos concentrados. Era uma mistura química desenhada para obliterar o julgamento e incendiar o corpo.

Quando Julianne ofereceu o brinde, Alex aceitou. A exaustão física e mental havia baixado sua guarda habitual. Ele levou o copo aos lábios e deu um gole longo, sentindo o líquido queimar sua garganta. Ele bebeu exatamente metade do conteúdo. O gosto era levemente metálico, um traço químico que tentava se esconder atrás das notas amadeiradas do uísque. O copo, ainda com a metade restante do líquido, ficou ali, repousado no balcão, como uma prova silenciosa da emboscada que acabara de ser executada. Julianne olhou para o relógio de pulso; ela conhecia a farmacologia daquela mistura. Sabia que levaria apenas alguns minutos para o sangue dele ferver. Com um sorriso vitorioso, ela se levantou, alegando que precisava apenas "retocar o batom".

O plano dela era meticuloso e cruel. Enquanto caminhava em direção ao banheiro, ela já visualizava o futuro. Lá dentro, em uma cabine reservada, ela retirou preservativos da bolsa e os furou cuidadosamente com uma agulha fina, planejando um golpe de fertilidade que a ligaria aos Carter e à sua fortuna para sempre. No entanto, o universo tem sua própria forma de justiça poética. Ao tentar sair do banheiro, um homem embriagado e insistente a barrou no corredor estreito, tentando um flerte agressivo e desajeitado. Julianne tentou se desvencilhar, irritada, mas o assédio indesejado roubou dela minutos preciosos — minutos que mudariam o curso de tudo.

Enquanto isso, no bar, o efeito no organismo de Alexander não foi gradual. Foi como se um interruptor de emergência tivesse sido desligado dentro de seu cérebro e uma fornalha industrial tivesse sido acesa em seu peito. Primeiro, veio o calor. Não era um calor de febre, mas um incêndio líquido que começou na base de sua espinha e se espalhou por cada terminação nervosa, fazendo sua pele formigar sob o tecido fino da camisa. Depois, o som da boate tornou-se insuportável; as batidas do techno pareciam marteladas diretamente em seu crânio.

Alexander sentiu o suor frio brotar em sua testa. Ele era um homem inteligente; percebeu a armadilha no instante em que o mundo começou a se desmanchar em cores distorcidas e sombras alongadas. O instinto de sobrevivência, aguçado por anos de competição impiedosa, gritou para que ele saísse dali antes que a mulher voltasse. Ele não podia ser visto naquele estado; a vulnerabilidade era uma sentença de morte no seu mundo. Ele se levantou bruscamente, o equilíbrio oscilando. Suas pernas pareciam pesadas como chumbo, mas por dentro, ele sentia que ia explodir. Cada passo em direção à saída era uma batalha épica contra a perda de consciência.

Ele precisava de ar. Precisava de silêncio. Precisava que o fogo parasse de consumir seus pensamentos. Alex tentou caminhar em direção à saída lateral, mas sua visão estava se fechando em um túnel escuro. Foi nesse momento de escuridão absoluta, onde o julgamento já havia sido devorado pela droga, que o impacto aconteceu.

Ele não estava esperando encontrar ninguém naquele corredor de serviço. O choque foi súbito e violento. Alexander sentiu um corpo pequeno e macio colidir contra o seu peito com força total, fazendo-o cambalear. Naquele estado alterado, onde todos os sentidos estavam operando no volume máximo, a sensação física foi amplificada mil vezes. Onde as mãos da desconhecida tocaram seu peito, tentando se equilibrar, o calor do estimulante pareceu encontrar um foco magnético.

Instintivamente, as mãos de Alexander dispararam para frente, não para afastar, mas para se segurar. Seus dedos se enterraram nos braços daquela mulher com uma força que ele não sabia que possuía, lutando para não cair e para entender o que estava acontecendo. Ele forçou os olhos a se abrirem, lutando contra a névoa química que tentava apagar as luzes de sua consciência.

A mulher à sua frente não era Julianne. Ela era diferente de qualquer pessoa que ele já havia conhecido nos salões de gala de Nova York. Não havia artifício nela. Havia um cheiro — algo doce e natural, como flores de laranjeira em uma manhã de primavera, misturado com o aroma acre e triste de gin. Ele olhou para o rosto dela e, por um segundo milagroso, o caos da boate silenciou. Ela estava pálida, quase etérea sob a luz fraca do corredor, com os olhos inundados de uma tristeza tão profunda, tão crua, que ele pôde senti-la vibrar através das palmas das suas mãos.

A respiração dela era curta, rápida e trêmula contra o seu pescoço, enviando ondas de pura eletricidade pelo seu corpo drogado. Alexander sentiu uma conexão que a lógica não poderia explicar; era como se o sofrimento dela estivesse conversando com o incêndio que o consumia.

— Você... — ele conseguiu articular, a voz saindo grossa, como um sussurro quebrado, carregado de uma urgência primitiva que ele não conseguia — e não queria — controlar.

Ali, naquele espaço minúsculo e abafado, espremidos entre a parede de concreto e o barulho abafado da música, o mundo exterior de Alexander Carter simplesmente deixou de existir. Não havia mais impérios para gerir, CEOs para intimidar ou fortunas para proteger. Havia apenas dois náufragos em um oceano de luzes e sombras, agarrados um ao outro como se fossem o único ponto sólido em um universo que estava desmoronando. E Alexander sabia, no pouco que restava de sua lucidez combatida, que aquela noite estava apenas começando, e que nada em sua vida de vidro e fogo jamais seria o mesmo.

Alexander agora está sob o efeito total do afrodisíaco e segurando a única pessoa que parece "real" no meio do caos.

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